Notas do Editor

Cidade da RFID faz bons negócios

Empresários da moda de Cianorte (PR) são exemplo de como manter os negócios rentáveis e atualizados, mesmo debaixo de mais uma crise

Por Edson Perin

17 de setembro de 2015 - Quem nasceu no Brasil no século XX já ouviu a palavra crise mais de um trilhão de vezes. Ficar sentado esperando a dita cuja passar não trouxe e não trará sucesso nenhum para ninguém – e o problema ainda poderá se agravar. Pelo menos até onde eu sei ou me contaram, não foi passiva a saída encontrada pelos sobreviventes das crises anteriores, que hoje estão no comando deste enorme mercado. E nem será encostado em um barranco que se abrirá o futuro para quem quiser vencer e contar a história.

Na semana passada, fui a Cianorte, no norte do Paraná, a convite da iTag, e mais uma vez fui testemunha de como há pessoas valiosas nesta terra chamada Brasil. Em plena intempérie política, com fagulhas salpicando e explodindo sobre a economia, dólar decolando e um clima de fim de festa em muitos setores, os empresários da moda da pequena cidade paranaense mostravam para mim, com tranquilidade, os benefícios do uso da tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID).

Edson Perin
Talvez se fosse um outro setor, os empresários estivessem desesperados, ansiosos pela chegada dos Cavaleiros do Apocalipse. Mas não em Cianorte. A cidade de 100 mil habitantes é um oásis para o que se pode chamar de a mais nova crise econômica brasileira, apontada – pelos mais pessimistas – como a mais grave dos últimos 30 anos. Lá em Cianorte, as pessoas continuam trabalhando, costurando, pintando e bordando, literalmente, e controlando os estoques com RFID.

Pode ser que os empresários de Cianorte tenham perdido a paz de espírito em outras ocasiões, como quando os chineses começaram a inundar o mercado com produtos de confecção a preços exageradamente baixos, talvez até artificiais, por pagarem salários muito baixos para os funcionários, em turnos da China, sem fim. Impossível competir contra uma loucura dessas sem perder o sono, especialmente em um mercado como o brasileiro, com trabalhadores organizados, salários bons e impostos altíssimos.

Pelo que reparei, Cianorte pode ser chamada de a "Cidade da RFID", pela quantidade de leitores, antenas e tags comparada com a sua população. Em um dia de visitas, conheci cinco empresas de portes diversos cujos controles de estoque, inventário e expedição operam em 100% com RFID, consumindo 2 milhões de tags por mês. Impressionante ver como os trabalhadores que realizam os processos com RFID estão satisfeitos com a tecnologia. Aqueles que realizavam os antigos processos manuais, então, são hoje os maiores defensores da RFID.

Além das fábricas super adequadas ao uso da identificação por radiofrequência, outra iniciativa importante foi realizada em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI), da cidade. A iTag patrocinou uma sala de aula onde os alunos podem aprender tudo sobre os sistemas de RFID, passando por hardware e software, além das operações em si. A sala conta com um armário de leitura, com antenas e leitores conectados a um computador, onde roda o middleware para gestão do conteúdo de caixas e malotes.