Notas do Editor

A tartaruga e o unicórnio

A tecnologia de identificação por radiofrequência tem sido lenta para pegar, mas é um investimento melhor do que perseguir o mítico unicórnio

Por Mark Roberti

1 de setembro de 2015 - Aileen Lee, fundador da Cowboy Ventures, cunhou o termo "unicórnio" para descrever uma empresa startup de tecnologia americana que alcançou uma valorização de pelo menos US$ 1 bilhão. Sua pesquisa mostrou que apenas 39 empresas fundadas desde 2003 pertencem ao "Clube Unicórnio", ou mais ou menos 0,07% das startups de software empresarial e de consumo com investimento de venture capital.

Apesar das taxas de sucesso astronomicamente baixas, os investidores continuam a procurar o próximo unicórnio ou "super unicórnio", como Google ou Facebook. É verdade, claro, que o investimento em uma empresa como Facebook, numa fase precoce pode gerar retorno suficiente para compensar todas as apostas erradas. E é verdade que as empresas de hardware são mais arriscadas para os investidores porque exigem mais capital. Mas eu acho que as empresas de RFID agora representam uma boa aposta para os capitalistas de risco. Aqui está o porquê.

Com startups de software, para você realmente fazer um bom negócio é preciso criar um novo segmento de mercado ou plataforma que capture um grande número de usuários. O LinkedIn desenvolveu um site que virou referência. O Facebook ganhou na arena de mídia social. O Twitter tem os fãs de comentários breves. O Airbnb surgiu com a ideia de permitir que as pessoas alugassem suas casas ou quartos. E o Uber permitiu o aparecimento dos motoristas de táxi por tempo parcial.

Mas há uma razão para haver tão poucos unicórnios. É difícil criar um novo mercado e atrair milhões de pessoas para usar o seu site ou aplicativo móvel. Em muitos casos, estes unicórnios não satisfazem uma necessidade, mas criam uma capacidade que permite que as pessoas façam algo novo, algo que nunca pensaram em fazer. Isso é um truque difícil de se tornar constante. É muito mais fácil atender uma necessidade existente. E quando eu olho em volta, tudo o que eu vejo são as necessidades que a RFID pode atender.

Os varejistas precisam melhorar sua precisão do inventário de 65% para 95% ou mais, bem como reduzir a sua taxa de perdas. Os fabricantes precisam rastrear os locais das peças, ferramentas e outros ativos. Empresas de TI precisam controlar seus ativos de data center. As empresas de construção precisam gerenciar materiais que chegam em sites de emprego, bem como manter o controle de ferramentas. As empresas de energia precisam monitorar ferramentas, tubos de perfuração, peças de reposição para equipamentos e outros itens. Empresas em cada um desses setores e muitos outros vão precisar comprar tags, leitores e software de RFID para transformar dados em informações usáveis.

É óbvio que todos os ativos físicos, inventário, matérias-primas, ferramentas e outras coisas precisam ser monitorados e gerenciados. A RFID, em todas as suas formas, é uma ferramenta que pode atender a essa necessidade. Mas, como as empresas podem ter uma visão mais rica de suas operações, também vão querer informações sobre as condições das instalações que possuem. É um edifício estruturalmente sólido? Existe um vazamento em algum lugar que poderia provocar danos maiores? Os governos vão querer saber da saúde das pontes e túneis que construíram, então os arquitetos precisarão projetar com sensores de deformação e umidade nas estruturas que desenvolvem. E as empresas também vão querer informações sobre as condições dos bens que possuem, criando uma necessidade de todos os tipos de sensores.

A tecnologia RFID pode atender a essas necessidades e é, por isso, que eu a vejo como a tartaruga da fábula infantil sobre a tartaruga e a lebre (você adivinhou: o unicórnio faz o papel da lebre). A adoção de RFID tem sido lenta até agora e a indústria nunca poderá produzir uma startup com uma valorização de bilhões de dólares, mas haverá um monte de empresas que fazem um monte de dinheiro atendendo essas necessidades. O dinheiro esperto, como é frequentemente o caso, é da tartaruga nesta corrida.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal

  • « Anterior
  • 1
  • Próximo »