Notas do Editor

A Internet das Coisas invadidas

Uma matéria do New York Times mostra que a segurança será um grande problema para a Internet das Coisas

Por Mark Roberti

17 de agosto de 2015 - A vida – ou, pelo menos, o ciclo de vida de adoção da tecnologia – é tão previsível. Em outubro de 2014, quando lançamos o IoT Journal, escrevi em uma coluna de opinião: “Há uma grande onda – ou hype – sobre a Internet das Coisas e o hype vai desaparecer, assim como já houve com RFID e eventualmente todas as novas tecnologias” (veja mais em Jornal sobre Internet das Coisas).

Com certeza, a Internet das Coisas está perdendo seu brilho. Algumas semanas atrás, eu escrevi sobre como o interesse dos consumidores em dispositivos domésticos inteligentes vem diminuindo. Na semana passada, The New York Times publicou um artigo convincente "Why 'Smart' Objects May Be a Dumb Idea" [Por que objetos inteligentes podem ser uma ideia idiota]. Este artigo é um exemplo de como a imprensa se tornou negativa quanto ao conceito de Internet das Coisas e ilustra por que as novas tecnologias acabam por ser mais difíceis de implantar do que qualquer um antecipa.

O artigo foi escrito por Zeynep Tufekci, um professor assistente na School of Information and Library Science da University of North Carolina. Ela ressalta que ligar geladeiras, rifles de precisão e carros à Internet para torná-los mais úteis soa muito bem até que você aprende sobre os riscos envolvidos.

"Recentemente, dois pesquisadores de segurança, sentados em um sofá e armados apenas com laptops, pegaram remotamente uma Chrysler Jeep Cherokee em alta velocidade em uma rodovia, desligando o motor quando um caminhão de 18 rodas correu em direção a ela", escreveu Tufekci. "Eles fizeram tudo isso enquanto um repórter da Wired estava dirigindo o carro. A experiência deles permitiria invadir qualquer Jeep do qual soubessem o endereço IP, ou seja, o seu endereço na Internet. Eles transformaram o painel de entretenimento do jipe em uma porta de entrada para dominar a direção, freios e transmissão do carro".

Tufekci salienta que a Internet foi inicialmente destinada a conectar pessoas que já fossem conhecidas uma da outra, como pesquisadores acadêmicos ou redes militares. "Ela nunca teve a segurança robusta para as necessidades de rede global de hoje", escreveu. "À medida que a Internet passou de alguns milhares de usuários para mais de três bilhões, tentar reforçar a segurança tornou-se uma frustração devido ao custo, miopia e interesses conflitantes. Conectar objetos do cotidiano nesta segurança instável criará uma Internet das Coisas invadida. Ou irresponsável e potencialmente catastrófica".

Os monitores do bebê, rifles de precisão e outros objetos conectados à Internet já foram invadidos, nota Tufekci. Na recente conferência de segurança Def Con, diz ela, pesquisadores montaram uma vila Internet of Things para mostrar como poderiam invadir objetos do cotidiano, como monitores de bebês, termostatos e câmeras de segurança. Isto está paralisando consumidores e empresas que, potencialmente, queriam utilizar as tecnologias da Internet das Coisas para agregar valor aos produtos existentes.

Eu não estou surpreso que as tecnologias da Internet das Coisas estão caindo no abismo. Isso acontece com todas as novas tecnologias. Vamos continuar a publicar o IoT Journal porque podemos ajudar as empresas a navegar por essas questões complexas e alcançar o valor real, assim como nós ajudamos a educar aqueles que têm tirado partido da RFID ao longo da última década. E assim como a RFID está emergindo do abismo e sendo adotada em larga escala, a Internet das Coisas vai voltar em grande forma também. E isto é tão previsível.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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