Notas do Editor

Pequeno varejista abandona RFID

Tudo indica que o uso de etiquetas de baixa qualidade e a má gestão dos processos foram as causas principais

Por Mark Roberti

8 de julho de 2015 - Em 2010, publicamos um artigo sobre a Peltz Shoes, que havia adotado identificação por radiofrequência (RFID) para rastrear calçados em suas quatro lojas. A empresa disse que tinha inserido etiquetas em cada caixa de sapatos, realizado cinco contagens de inventário e economizado 1.500 horas-homem de trabalho, enquanto aumentou a precisão dos estoques. Na semana passada, a Peltz lançou um comunicado de imprensa anunciando que estava abandonando a RFID. Hã?

Foi estranho, porque as empresas não costumam colocar comunicados de imprensa, quando param de usar uma tecnologia nova (ou velha). O comunicado dizia: "Parte do problema foi que a impressora RFID imprimiria etiquetas inativas que eram indetectáveis até que a contagem do ciclo de inventário fosse iniciada. Além disso, se um associado erroneamente colocasse o rótulo errado em uma caixa, o inventário não seria contado corretamente. Ambos os problemas causaram outro custo: de trabalho inesperado para remover as etiquetas das caixas para reetiquetar e recontar os estoques.

Tags ruins foram um grande problema há alguns anos, mas a indústria parece ter melhorado muito, com controle de qualidade, e eu raramente ouvi falar de um número considerável de tags ruins. Além disso, a maioria das impressoras de hoje identificam tags ruins para que não sejam colocadas em itens. Talvez a Peltz estivesse usando uma impressora mais antiga que não fez isso. A questão de as pessoas colocarem as etiquetas erradas em itens é um problema de processo, não um problema de tecnologia, e aplica-se aos códigos de barras, bem como à RFID.

O release continua dizendo: "os scanners [leitores] tinham 99% de exatidão, no entanto, 1% causou um grande aumento do trabalho. Sendo a digitalização de 300.000 pares de sapatos, 1% dos pares, ou 3.000 unidades, precisam ser verificadas manualmente para a contagem real. O tempo e esforço envolvidos para corrigir essas imprecisões não justificam os custos adicionais quando comparados com o baixo custo e precisão de digitalizar manualmente todo o inventário".

Acho isso um pouco estranho. Escaneamento de código de barras é muito menos preciso do que RFID. Lojas de vestuário têm uma taxa de precisão de estoque de 65%. Pode ser mais elevada em lojas de calçados, mas está longe de ser 99%. Então, que tal todo o trabalho adicional necessário para verificar e reavaliar todo o inventário com códigos de barras?

A versão também indica que os custos de 11 centavos de dólar por tag ficou exacerbado quando utilizado em 300 mil itens de estoque. Meu palpite é que se a empresa focar nas economias em 1.500 horas de trabalho e um aumento nas vendas por inventário mais preciso, o sistema pode se pagar, embora possa ser mais um desafio maior para um pequeno varejista do que para um grande, que pode se dar ao luxo de manter equipes dedicadas para assegurar que a etiquetagem RFID siga os processos e que a tecnologia funcione da maneira que deveria.

Uma coisa que eu concordo plenamente com o lançamento da Peltz é a seguinte declaração: "Se os fabricantes aplicassem etiquetas RFID nos produtos, seria muito mais benéfico fazê-lo para aumentar a precisão do inventário direto da fábrica, mas também teria a vantagem adicional de prevenção da incompatibilidades e roubo".

É por isso que mais varejistas precisam falar sobre suas implementações de RFID, para incentivar mais fornecedores a etiquetar na origem. Isso permitiria que os varejistas grandes e pequenos aproveitassem a tecnologia e vendessem mais bens para pessoas que são atraídas para as suas lojas.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

  • « Anterior
  • 1
  • Próximo »