Notas do Editor

Como seria um produto RFID completo?

Seria discreto e fácil de implementar, além de entregar informações sobre as localizações aproximadas de itens etiquetados

Por Mark Roberti

1 de julho de 2015 - Tenho dito muitas vezes (e escrito nesta coluna) que a tecnologia de identificação por radiofrequência não vai atingir a adoção em massa até que os provedores de soluções entreguem um "produto completo" – termo de Geoffrey Moore para uma nova tecnologia – com todo o necessário para que os clientes tenham uma razão convincente e possam investir nele. Isto levanta uma questão: o que faz um produto ser completo?

Na minha opinião, um produto completo iria incluir leitores, aplicações de software que transformam dados em informações das quais as empresas podem se beneficiar e, possivelmente, tags (eu digo possivelmente porque com sistemas de UHF passivos, as etiquetas seriam simplesmente uma mercadoria). É improvável que uma só empresa irá fornecer tags, leitores e software, e que vamos ver um triunvirato entregar todo o produto. Aconteceu desta maneira na indústria de computadores pessoais, quando a Intel forneceu o processador, IBM fez o computador pessoal e Microsoft forneceu o sistema operacional e alguns programas essenciais.

A indústria de RFID está se movendo claramente nesta direção e eu vejo isto como o último passo no processo de maturação antes de a RFID UHF passiva realmente decolar. Mas eu acho que a indústria precisa fazer um pouco mais do que apenas oferecer tags, leitores e software por meio de uma parceria. A tecnologia deve se tornar mais fácil e mais simples de implantar e usar.

Pense sobre os MP3 players. No início, você precisava de uma unidade de CD-ROM para obter as suas músicas de um CD de música. Você precisava de software para gerenciar suas músicas, software para escrever músicas para o seu leitor de MP3 e o próprio leitor de MP3. A solução inteira não era apenas para agrupar esses elementos e dizer: "Pronto. Pode usar". A Apple fez um produto inteiro e fácil de usar, no qual você iria colocar o seu CD-ROM na unidade e seu Mac perguntaria se você queria copiar as músicas para sua biblioteca. Você poderia rapidamente criar listas de reprodução no iTunes e facilmente copiá-las para o iPod; e o próprio iPod é simples e fácil de usar.

Hoje em dia, há muitos fatores que influenciam a leitura de tags, tais como o material onde as etiquetas são colocadas, a presença de metal, água ou inferência eletromagnética no ambiente, e assim por diante. A indústria tem trabalhado arduamente para desenvolver melhores produtos para superar esses problemas e nós certamente percorremos um longo caminho, cheio de avanços. Mas a instalação de sistemas e permitir a leitura de centenas de tags que passam por um portal ainda exige um técnico especializado.

Não há dúvida que os sistemas de RFID atualmente entregam grande valor e que a tecnologia tem resolvido uma série de problemas que nenhuma outra tecnologia pode resolver. Mas antes que ela possa ser usada para rastrear todos os produtos na cadeia de abastecimento e nas lojas, os sistemas precisam ser mais plug-and-play. Talvez isso signifique criar leitores auto-configuráveis ou que forneçam feedback para permitir que pessoas não-técnicas possam ajustar os ângulos de antena e níveis de potência.

Eu também acho que um produto completo precisa fornecer mais informações sobre os locais dos ativos etiquetados. É fácil determinar quando um produto etiquetado ou recipiente está localizado, se foi lido durante a passagem pelo portal e como fica em um gabinete habilitado para RFID ou prateleira contendo um leitor. Mas quando a RFID é usada em todo um armazém ou loja, todas as tags poderiam responder o tempo todo. Como você pode encontrar um item sem um leitor portátil?

Outra questão é, por falta de uma palavra melhor, a desordem que a RFID cria. A solução ideal seria invisível. Em vez de tags ativas volumosas em equipamentos hospitalares, as etiquetas seriam construídas dentro do equipamento. Em vez de os leitores com antenas múltiplas ao redor das portas das docas e em lojas, os leitores se tornariam parte do ambiente, quase imperceptíveis.

Os provedores de soluções estão cientes destas questões. As empresas estão desenvolvendo leitores genéricos que são mais fáceis de instalar, fornecem os locais aproximados de itens etiquetados e entregam dados para sistemas back-end. Temos, agora antenas de perfil baixo mais discretas e provedores de soluções estão desenvolvendo produtos sozinhos ou com parceiros. Na minha opinião, é apenas uma questão de tempo antes que estes avanços se aglutinem em um produto inteiro que o mercado vai abraçar totalmente.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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