Notas do Editor

A RFID é a base da Indústria 4.0

O novo conceito, apontado como uma das tendências da automatização, foi criado para definir o que se espera da quarta revolução industrial

Por Edson Perin

11 de maio de 2015 - Ao longo dos anos que venho acompanhando a fundo a evolução das tecnologias e as transformações provocadas por elas na vida e na maneira como realizamos as nossas tarefas, já me deparei com muitos nomes e conceitos que foram surgindo pelo caminho. Alguns simplesmente desapareceram sem deixar rastros significativos; outros duraram pouco; mas há ainda um terceiro grupo: o dos que permaneceram e serviram de base para novas criações humanas. O conceito de Indústria 4.0, por exemplo, creio que deve ser um destes últimos, que vieram para marcar a História.

O mais curioso de tudo é que esta nova tendência também está sendo chamada de a Quarta Revolução Industrial, mas – pela primeira vez na História – não acontecerá apenas por força do improviso ou da espontaneidade. A Quarta Revolução Industrial está sendo planejada, projetada e desenvolvida. E isto sim, na minha opinião e parafraseando o astronauta que primeiro pisou em solo lunar, Neil Armstrong, será "um salto gigantesco para a humanidade". Por que? Pelo fato inédito de estarmos literalmente escrevendo o futuro da História por meio de hardware e software.

Edson Perin
Segundo um paper da GS1 sobre a Indústria 4.0 – tema de uma palestra do Fórum Internet das Coisas, na semana passada, em São Paulo –, devagar está nascendo uma nova forma de produção, que transforma o produto, normalmente, um objeto passivo, em um agente ativo da manufatura que, sozinho, pode decidir como deve ser fabricado. Ou seja, nas fábricas do futuro, tanto os produtos quanto as máquinas serão capazes de realizar comunicação e monitoramento entre si.

As falhas, por exemplo, serão descobertas pelos próprios objetos, que determinarão quando as manutenções das máquinas serão necessárias. A produção e a logística terão mais flexibilidade, já que a informação não será exclusiva de uma única unidade central.

No momento, o esforço principal está em criar a base de Tecnologia da Informação (TI) necessária para dar suporte à Indústria 4.0, também conhecida como Fábrica Inteligente. Para isso, os especialistas estão testando chips de identificação por radiofrequência (RFID), que podem dar a inteligência necessária aos produtos que estarão na linha de fabricação.

O termo Indústria 4.0 foi criado em um projeto estratégico de alta tecnologia do governo alemão, com o intuito de promover a informatização da manufatura de transformação e foi compreendido como a quarta revolução industrial. A primeira revolução industrial foi a da mecanização da produção, utilizando água e energia a vapor; foi seguida pela segunda revolução industrial, que introduziu a produção em massa com a ajuda de energia elétrica; a terceira, a revolução digital, trouxe o uso da eletrônica e da TI para automatizar ainda mais a produção, por meio de robôs.