Notas do Editor

Brasil usa RFID para sustentabilidade

O caso de sucesso da fábrica de impressoras da HP, em Sorocaba (SP), é mundialmente reconhecido pelo uso inovador da tecnologia em sua cadeia de suprimentos

Por Edson Perin

23 de março de 2015 - De julho de 2011 a janeiro de 2015, houve um incremento de 312,76% na coleta e segregação de impressoras pela HP Brasil, no âmbito do seu projeto SmartWaste, que controla a reciclagem das máquinas fabricadas no país após o seu descarte. Os insumos, que podem ser reinseridos como matéria-prima em novos produtos HP fabricados no Brasil, já renderam 178,5 toneladas no mesmo período.

A iniciativa de sustentabilidade da HP usa a tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) para rastreamento e garantia de qualidade. O projeto SmartWaste tem reconhecimento internacional e foi o caso de sucesso vencedor do prêmio RFID Journal Awards 2012, na categoria "Solução Verde", destinada à melhor utilização da tecnologia para aprimorar as condições do meio ambiente.

O sistema desenvolvido em conjunto com o RFID Center of Excellence (CoE), em Sorocaba (SP), que foi a fonte dos dados acima, permite gerenciar todo o processo de reciclagem das impressoras por meio de uma interface na internet, que informa a quantidade de máquinas recicladas e a quantidade de material resultante que pode ser reaproveitado.

A HP optou pela adoção de tecnologia genuinamente brasileira de microeletrônica para realizar as operações de rastreamento de equipamentos. A Ceitec, empresa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que desenvolve e produz circuitos integrados para identificação por radiofrequência, fornece os chips RFID usados para identificar os produtos de imagem e impressão fabricados pela HP Brasil.

Os chips da Ceitec percorrem todo o processo produtivo da HP, desde a manufatura, passando pela distribuição, até chegar ao retorno dos itens para reciclagem. O uso desta solução pelo projeto SmartWaste permite o rastreamento do retorno de equipamentos eletrônicos em fim de vida e assegura o seu descarte adequado e, principalmente, quantifica o material recolhido.

Com o SmartWaste, a fabricante pode localizar cada componente reciclável como vidro, metal e plástico e reinserir estes materiais em sua cadeia produtiva, para permitir a fabricação de novas impressoras e, também, direcioná-los a outros segmentos industriais para reciclagem.

Quem diria que o Brasil seria o precursor do uso de alta tecnologia para controle da chamada cadeia de suprimentos reversa? Parabéns às equipes da HP, da Ceitec e de outras empresas que participam do projeto SmartWaste, por promoverem este avanço para todo o país.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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