Notas do Editor

A decisão de adotar (ou não adotar) RFID

Muitas pessoas pensam que a escolha é simples, mas é bastante complexo explicar por que a adoção pode levar mais tempo para ocorrer do que muitos esperavam

Por Mark Roberti

3 de março de 2015 - Muitas vezes sou convidado para falar em eventos do mundo todo acerca de identificação por radiofrequência (RFID). Eu exalto as virtudes da tecnologia, é claro, e ofereço exemplos de empresas que estão se beneficiando da RFID (se é um evento da indústria, destaco as implantações do setor). E depois me perguntam, inevitavelmente, "Se RFID é tão grande, por que não é todo no mundo que a usa?"

É uma pergunta razoável, mas baseada em uma premissa falsa, ou seja, que as empresas são lógicas e sempre farão o que é do seu próprio interesse. Eu entendo esse pensamento, e 99% dos fornecedores de RFID pensam da mesma forma. As empresas são dirigidas por pessoas e muitas vezes as pessoas não fazem o que é do seu próprio interesse, não param de fumar, não fazem exercícios, não comem de modo saudável e assim por diante.

Mas estamos falando de adoção de tecnologia e, mesmo aqui, as pessoas nem sempre fazem a coisa certa. Recentemente, li um artigo no The New York Times sobre um airbag para esquiadores. Dado que praticantes de esqui batem velocidades superiores a 80 milhas (128 quilômetros) por hora, seria de se prever que cada esquiador profissional e olímpico iria correr para comprar um imediatamente.

Seria, mas claro, está errado. Praticamente não há esquiadores usando o recurso. Alguns temem que possa atrasá-los. Outros temem que seja acionado na hora errada. O atleta olímpico dos EUA Marco Sullivan é citado no artigo dizendo: "ninguém usará enquanto todos não usarem".

Eu amo esta citação, porque resume perfeitamente a adoção da tecnologia. Ninguém vai usar RFID até que todo mundo esteja usando.

Por quê? Pelas mesmas razões, os esquiadores não querem usar um airbag salva-vidas: eles acham que poderia colocá-los em desvantagem competitiva. A tecnologia pode não funcionar como anunciado e poderia custar à empresa tempo e dinheiro e arruinar a reputação do gerente de projeto. Quando a tecnologia se torna amplamente utilizada, há pouco risco para a empresa e não usá-la se torna uma desvantagem.