Notas do Editor

Novas percepções sobre RFID

Tenho ouvido muitas pessoas dizerem que mais empresas parecem se interessar por identificação por radiofrequência e por um bom motivo

Por Mark Roberti

11 de fevereiro de 2015 - As percepções sobre as novas tecnologias mudam ao longo do tempo. Isso é tanto o que diz o Gartner Hype Cycle como o ciclo de vida de adoção de tecnologia criado por Geoffrey Moore. Inicialmente, existe muito otimismo sobre uma nova tecnologia, como ocorreu com a RFID de 2003 a 2005. Mas, então, a realidade cai. As empresas acham que é mais complexo do que pensavam antes. A tecnologia entra então no “vale da desilusão” ou “abismo”.

Ao longo do tempo, a tecnologia amadurece. No caso da RFID, fabricantes de tags desenvolveram etiquetas passivas de frequência ultra alta (UHF) que podem funcionar em metal e em meio à água, e que podem ser lidas de modo mais consistente, independente da sua orientação, e em maiores distâncias. Provedores de soluções de RFID aumentaram a precisão de localização de seus produtos e conquistaram um desempenho mais confiável.

Enquanto a tecnologia se aprimora, um maior número de empresas começa a adotá-la para resolver problemas de negócios específicos. Essas implementações bem-sucedidas acabam sendo divulgadas em artigos e eventos. Jornalista, analistas de tecnologia e usuários finais adotam uma abordagem mais positiva para a tecnologia e as percepções dentro da comunidade de negócios começam a mudar.

É aqui que estamos com a RFID agora. As percepções estão mudando. Artigos positivos estão substituindo os negativos. Empresas que abriram mão da tecnologia alguns anos atrás estão repensando. Varejistas que uma vez questionaram o retorno do investimento são agora muito menos céticos.

Como resultado, as decisões para implantar a tecnologia estão sendo feitas muito mais rapidamente. Um varejista que começou a investigar o potencial da RFID em 2007 provavelmente levou três anos para lançar um piloto e mais cinco para executar um lançamento. Nossa pesquisa mostra que um varejista que comece a investigar sobre RFID hoje pode lançar um piloto em um ano e executar um lançamento dentro de dois. Espero que o tempo para implantar um sistema continue a diminuir enquanto o conhecimento sobre o valor da tecnologia aumente e os provedores de soluções tomem medidas para tornar mais fácil de implantar RFID em larga escala.

Estamos nos movendo inexoravelmente para o ponto de inflexão. Isso não significa que a RFID irá decolar em 2015, mas também não quer dizer que não existam eventos externos que possam fazer com que as percepções se alterem novamente. Mas parece estar claro que todos os sinais apontam para o crescimento continuo da adoção de RFID, cada nova implantação leva a mais implantações, assim como previu que aconteceria Geoffrey Moore, o autor de Crossing the Chasm (Cruzando o Abismo).

O desafio tanto para os provedores de soluções RFID como os usuários finais é estar um pouco mais adiante na mudança. Os provedores precisam estar prontos para escalar seu negócio para poder aumentar a produção de tags e leitores, para fornecer soluções a muitas empresas simultaneamente. Vendedores não querem aumentar produções muito cedo, pois isso pode levar a problemas de fluxo de caixa. Mas também não podem esperar muito, já que, se a tecnologia atingir o ponto de inflexão e eles não tiverem como atender a demanda, poderão perder a oportunidade.

O problema de tempo é menor para usuários finais, mas acho que ainda está presente. Se esperar muito e decidir adquirir tecnologia RFID depois do ponto de inflexão, será um desafio encontrar sistemas integradores com a largura de banda para seu projeto. Além disso, talvez seja difícil garantir entregas dentro do prazo de tags e leitores. Contratar pessoas com conhecimento de RFID e habilidade para gerenciar projetos ou desenvolver softwares pode ser muito difícil.

O calendário de eventos é sempre o mais difícil de prever. Eu acho que a RFID está a mais ou menos dois anos de atingir o ponto de inflexão — mas poderá ser um, três ou, possivelmente, quatro anos. É difícil dizer porque a adoção vai continuar a acelerar, mas ninguém sabe a que nível de progresso. Também podem acontecer eventos inesperados que impulsionem a adoção (assim como eu disse que poderiam haver aqueles que a atrasem). Acredito que a única coisa a fazer seja começar a se preparar agora para estar pronto quando o “tornado” chegar.

Mark Roberti é fundador e editor do RFID Journal.

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