Notas do Editor

A Intranet das Coisas

A Internet das Coisas dos consumidores será provavelmente muito diferente da que será utilizada pelas empresas

Por Mark Roberti

26 de novembro de 2014 - Eu estava falando com Carlo Nizam, chefe de visibilidade da cadeia de valor e RFID da Airbus, durante a RFID Aircraft Technical Operations Conference, do International Air Transport Association, realizada neste mês em Toulouse, França. Ele tinha acabado de voltar da Costa Oeste, onde foi ver as empresas inovadoras do Vale do Silício. Carlo concluiu que, embora a Internet das Coisas focada em consumidores esteja recebendo toda a atenção, o valor real virá da conexão dos itens corporativos pela Internet.

Os consumidores têm um número limitado de dispositivos que podem ser conectados à Internet, ressaltou. Uma casa típica tem uma geladeira, um fogão, um par de termostatos e assim por diante. "Mas as empresas têm milhões de ferramentas, embalagens, peças, subconjuntos e assim por diante que precisam ser monitorados", disse ele. "E serão acompanhados por RFID".

Carlo inventou um novo termo, a "Intranet das Coisas", observando que "as empresas vão conectar seus ativos por uma rede interna, não a Internet, onde todos seriam capazes de acessar as informações. As empresas não querem seus dados sobre ativos na Internet".

A General Electric cunhou o termo a "Internet Industrial de Coisas", uma outra maneira de se referir à mesma ideia. Como Carlo, a GE acredita que o maior valor das tecnologias da Internet das Coisas não estará no Google Glass ou no Apple Watch, mas em conectar as coisas dentro de uma empresa pela Internet.

Em um documento intitulado "Industrial Internet: Pushing the Boundaries of Minds and Machines", a GE prevê que o aumento da produtividade vai aumentar a renda e melhorar os padrões de vida. "Nos EUA", afirma o relatório, "se a Internet industrial puder impulsionar o crescimento anual da produtividade em 1 ou 1,5 ponto percentual, trazendo-o de volta para os picos da revolução da Internet, ao longo dos próximos 20 anos, poderá aumentar rendimentos médios em impressionantes 25 a 40 por cento do nível de hoje. Como a inovação se espalha em todo o mundo, a economia global poderá garantir metade dos ganhos de produtividade dos EUA, a Internet industrial poderia adicionar consideráveis US$10 a US$15 trilhões ao PIB mundial de hoje. O ambiente econômico desafiador de hoje, garantindo parte desses ganhos de produtividade, poderia colher grandes benefícios, tanto individualmente como para toda a economia".

Eu concordo com ambos, Carlo e GE. Acho que a grande oportunidade está em aplicações industriais e eu acho que Carlo está certo ao dizer que uma grande parte disso será por RFID. Praticamente todas as coisas dentro das paredes de uma empresa serão rastreadas via RFID ativa e passiva e sensores RFID.

Isto não é para minimizar o valor das empresas que estão adicionando tecnologias de Internet das Coisas em seus produtos industriais ou de consumo. A GE inseriu sensores em seus motores de avião, informando sobre a eficiência durante o vôo, aumentando a eficiência de combustível e redução de tempos de paradas. A Trane fez algo semelhante com o seu equipamento de aquecimento e ventilação. E, claro, a Apple pode estar agregando valor através da introdução de tecnologias da Internet das Coisas no relógio para consumidores. Isto é ótimo, mas para as empresas que procuram o maior resultado, eu sugiro focar na Intranet das Coisas.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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