Notas do Editor

O mundo está diferente

Eficiências uma vez inimagináveis agora estão sendo alcançadas por empresas que utilizam tecnologia de identificação por radiofrequência

Por Mark Roberti

3 de outubro de 2014 - Em 18 de novembro de 2002, escrevi uma coluna de opinião intitulada "O mundo apenas mudou". O RFID Journal tinha acabado de noticiar que a Gillette tinha comprado 500 milhões de tags de identificação por radiofrequência (RFID) passivas UHF da Alien Technology, que, na época, era a única empresa que oferecia etiquetas com base no Código Eletrônico de Produto (EPC) de primeira geração. Na coluna, escrevi: "A forma como eu vejo o anúncio da Gillette é como um arranque sinalizando o início da corrida para obter uma vantagem competitiva com o uso de RFID".

A verdade, claro, é que não houve uma corrida louca para implantar sistemas RFID. A maioria das empresas foi cautelosa em investir em uma nova tecnologia, não comprovada. A adoção tem sido lenta devido à falta de soluções maduras, bem como a alguns fatores externos, como o colapso econômico de 2008, mas pensei sobre este artigo de opinião obscuro, escrito há mais de uma década, enquanto eu visitava a Brascol, empresa brasileira de atacado de produtos infanto-juvenis, na semana passada, quando eu estava no país para o nosso RFID Journal LIVE! Brasil. O CEO da Brascol, Antonio Almeida, ofereceu-me um tour na empresa um dia antes da abertura do evento, no qual ele foi palestrante.

Os clientes vêm de pequenas e médias redes de lojas de todo o país e compram, em média, 500 itens para reabastecer seus estoques de roupas infantis, calçados, banheiras infantis, mamadeiras e outros itens. A Brascol tem etiquetadas 35 mil unidades de unidades em estoque (SKUs), sendo que algumas das peças custam cerca de um dólar. E fornece etiquetas para seus fornecedores – que, em janeiro de 2015, vão começar a comprar tags por conta própria. A atacadista está usando 70.000 etiquetas por dia. Em termos de escala, é uma das maiores implementações de RFID UHF passivas até agora, menor talvez apenas que a Marks & Spencer.

Antes de implantar RFID, a Brascol tinha 50 estações em que os membros da equipe contavam os itens e o total de compras de cada cliente. Isso muitas vezes levava uma hora por cliente. A Brascol instalou apenas 25 estações de RFID e reduziu o tempo de check-out para 20 minutos, em média. O número de funcionários necessários para o check-out de clientes foi reduzido de 110 para menos da metade desse número.

Os trabalhadores que recebem bens em inventário na saída antes eram capazes de receber 3.000 a 4.000 itens diariamente. Agora, podem receber de 15.000 a 20.000 por dia. Com grandes encomendas a fornecedores, que costumava levar muito tempo para contar cada item, a Brascol tinha que confiar que todos os bens da ordem de compra tinham sido entregues. Agora, é capaz de confirmar todos os pedidos em questão de minutos. No lado do envio, a empresa reduziu os níveis de pessoal e dobrou o número de produtos de 35.000 para 70.000.