Notas do Editor

Hong Kong usa cada vez menos dinheiro vivo

O uso do cartão Octopus, baseado em tecnologia RFID, é tão prevalente que está substituindo rapidamente o dinheiro em espécie para muitas transações

Por Mark Roberti

26 de agosto de 2014 - Na semana passada, depois de realizar o nosso evento RFID in Energy, Mining and Construction, em Perth, Austrália, eu voei para Hong Kong para comemorar os 90 anos de minha sogra e para visitar alguns dos parentes da minha esposa, que eu não via desde a minha última visita há 17 anos (eu morei em Hong Kong de 1984 a 1992). Foi maravilhoso ver todo mundo de novo. Também foi emocionante ver como toda a cidade aderiu ao cartão Octopus, que usa um transponder de identificação por radiofrequência (RFID), de alta frequência (HF).

Eu usei metrô, trem, bonde, ônibus, microônibus e balsa em Hong Kong, pagando por tudo com o meu cartão Octopus, que permite aos usuários armazenar créditos, deduzindo a quantidade adequada a cada viagem. Quase todo mundo em Hong Kong usa o cartão. Eu vi um homem idoso subir a bordo de um microônibus (vans que transportam pessoas em rotas curtas, muitas vezes de trem ou ônibus em estações de blocos habitacionais) e pagando com um cartão inteligente sem contato.

Segundo o site da Octopus Cards Ltd., existem mais de 25 milhões de cartões em circulação. A empresa diz que mais de 99 por cento dos habitantes de Hong Kong, com idades entre 15 e 64, possuem um Octopus.

Isso é impressionante. Mas o que é mais impressionante é que mais de 14 mil pontos de vendas aceitam Octopus. Existem hoje mais de 67.000 leitores Octopus em toda Hong Kong e 13 milhões de transações Octopus no valor de aproximadamente US$ 18 milhões diariamente. Eu usei o cartão para pagar o café da manhã no McDonalds, para comprar uma garrafa de água na 7-Eleven, para adquirir lanches para os meus filhos em uma pequena loja e para pagar um estacionamento municipal.

A razão para o sucesso do cartão Octopus é que cinco grandes empresas de transportes – MTR, Kowloon Canton Railway Corporation, Kowloon Motor Bus Co., Citybus e a Hong Kong e Yaumati Balsas – estabeleceram uma joint venture (conhecida originalmente tão Creative Star Ltd.). O sistema tornou-se popular rapidamente, uma vez que o cartão poderia ser empregado para todos os tipos de transporte. E já que todo mundo tinha um cartão Octopus em seus bolsos, fazia sentido para os motoristas de microônibus e pequenas lojas investir em leitores e aceitá-lo como pagamento.

O cartão não é usado para grandes transações. As pessoas não querem colocar muito valor no cartão, pois podem perdê-lo e outra pessoa poderia usá-lo. Não é destinado a substituir os cartões de crédito. E ainda existem algumas formas de transporte para os quais você não pode usá-lo. A maioria dos táxis não têm leitores, mas eu suspeito que não vai demorar muito para que tenham.

Mas o cartão está sendo utilizado para aplicações além de pagamentos. Como cada cartão tem um número de identificação único, que pode ser associado com um indivíduo, você pode usar o cartão Octopus para entrar em alguns edifícios e garagens privadas. O governo de Hong Kong está considerando adotar o Octopus em bibliotecas e, pelo menos, uma universidade está pensando em substituir identificações estudantis por cartões Octopus.

Hong Kong sempre foi um lugar que abraça a mudança. Foi uma das primeiras cidades a adotar caixas automáticos (ATMs) para a retirada de dinheiro dos bancos. E quando os telefones celulares foram introduzidos pela primeira vez, muitas pessoas correram para comprar um. Então, não é nenhuma surpresa para mim que Hong Kong tenha adotado RFID para pagamentos. Estou disposto a apostar que será a primeira sociedade a viver sem dinheiro vivo no mundo.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal .

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