Notas do Editor

Um olhar para além do ROI

O mau uso de amostras de antrax pelos centros de controle e prevenção de doenças provam que nem sempre o mais importante é o dinheiro

Por Mark Roberti

6 de agosto de 2014 - Fico sempre desconfiado antes de usar uma tragédia real ou potencial para destacar os benefícios da identificação por radiofrequência (RFID), porque pode ser um exagero sugerir que a tecnologia teria evitado um incidente. Por esta razão, considerei nas últimas semanas a notícia de junho sobre amostras do mortal vírus antrax e outros patógenos que teriam sido mal manejadas pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Finalmente, decidi escrever sobre isto, porque acho que há duas lições importantes.

A primeira é que o retorno sobre o investimento (ROI) não é a única razão para implantar um sistema de RFID. Cada implantação deve entregar valor para uma organização, mas o valor nem sempre é medido em dólares. As empresas, às vezes, precisam investir em um sistema que terá um ROI negativo, porque os benefícios são as vidas dos trabalhadores, o que por si só já supera o custo do sistema.

Algumas empresas já conseguiram isso. A BP Cherry Point, refinaria de petróleo da BP, em Cherry Point, Washington, implantou um sistema de RFID para acompanhamento de pessoal, em 2006. O Location Aware Safety System monitora o paradeiro de 2.000 funcionários, prestadores de serviços e visitantes, que são obrigados a usar crachás RFID na área de processamento e docas da refinaria. O sistema permite saber onde estão os operadores da BP em caso de uma emergência, como um incêndio ou explosão. Outras refinarias, desde então, implantaram soluções semelhantes.

No caso do CDC, um sistema de RFID talvez pudesse ter assegurado a manipulação segura de agentes patogênicos letais, alertando os gestores quando os itens não estão devidamente controlados, dentro ou fora de geladeiras seguras ou armários. Um investimento em um sistema de RFID pode custar de US$ 100.000 a US$ 200.000, mas seria um preço muito pequeno a se pagar para garantir que o público não fosse exposto a toxinas mortais ou patogênicas.

A segunda lição do incidente dos CDCs é que os trabalhadores nem sempre seguem os procedimentos de segurança. E isto não é uma exclusividade dos CDCs. Em muitas organizações, as regras são ignoradas. Se nada de ruim acontece ao longo do tempo, as regras são ignoradas um pouco mais. Depois de anos sem incidentes negativos, uma organização pode desenvolver uma cultura de complacência, até acontecer uma tragédia.

Os sistemas RFID podem agir como um lembrete ou serem configurados para exigir determinados comportamentos. No ano passado, eu falei com um gerente geral de hotel que tinha implantado um sistema para lembrar os trabalhadores da cozinha a lavar as mãos em intervalos regulares. O pessoal da cozinha usava crachás com pequenas luzes verde, amarela ou vermelha. Se a luz de um trabalhador ficasse vermelha, significava que a pessoa não tinha lavado as suas mãos.

Os CDCs poderiam usar RFID para garantir o tratamento adequado dos patógenos. Os funcionários poderiam verificar os patógenos em teste com um crachá RFID que os identificaria pessoalmente. As amostras podem ser marcadas para que os registros de software de cada item específico fossem removidos de um frigorífico. E o sistema pode ser configurado para alertar os gestores, se um agente patogênico não for devolvido para o local adequado, após um certo período de tempo.

A vantagem do uso de software, etiquetas e leitores é que eles não se cansam, não perdem o foco e nunca se tornam complacentes – apenas fazem o que você os configurou para fazer. Podem significar um grande controle sobre nós, seres humanos, que, como todos sabemos, somos propensos a erros.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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