Notas do Editor

A ordem é Retorno sobre Investimento

O famoso e almejado ROI pode ser o fator crucial para priorizar os mais impactantes programas governamentais com RFID, como Brasil-ID e Siniav

Por Edson Perin

28 de julho de 2014 - Tenho conversado com muitos executivos, profissionais de mercado e autoridades para compreender o porquê de os programas governamentais baseados em identificação por radiofrequência (RFID), como Siniav e Brasil-ID, ainda estarem como que patinando – não digo taxativamente que estão patinando, pois há quem garanta o contrário e eu, parcialmente, concordo. De cada um que diz alguma coisa sobre os assuntos eu ouço uma coisa diferente e, com isso, vou juntando peças para compor uma grande colcha de retalhos.

Pode ser que com mais uma dezena de conversas, a minha colcha de retalhos mude pouco ou mude muito, pois o cenário tem uma complexidade considerável. Mas o que posso garantir é que, hoje, com as peças que juntei, cheguei à seguinte conclusão que considero bastante firme e compartilhável: o que vai fazer os programas de governo com RFID decolarem será a capacidade de realizarem o retorno sobre investimento (ou ROI, do inglês, Return over Investiment). Sendo assim, seguindo uma tendência apontada por diversos interlocutores, o Brasil-ID deve alçar voo na frente do Siniav. E faz sentido, como vou explicar…

Edson Perin, editor do RFID Journal Brasil
Vamos dar uma recapitulada no que representa cada um desses programas. O Sistema Nacional de Identificação, Rastreamento e Autenticação de Mercadorias, conhecido como Brasil-ID, por exemplo, está sob a responsabilidade do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Baseado em RFID e outras tecnologias de comunicação sem-fio, o sistema visa a estabelecer um padrão único para implementação da tecnologia a ser utilizada em produtos e documentos fiscais em circulação pelo país. Prevê, ainda, a estruturação de serviços de rastreamento e verificação de autenticidade (leia mais em Brasil-ID publica Manual de Operações do Contribuinte).

O Siniav ou Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos é o projeto do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), também coordenado pelo Instituto Wernher von Braun, como o Brasil-ID. O Siniav determina a adoção obrigatória da tecnologia de identificação por radiofrequência na placa eletrônica para controle de toda a frota brasileira de veículos, estimada atualmente em 85 milhões de unidades, incluindo carros, motos, caminhões etc (leia mais em Siniav pode ser implantado em breve).

Apesar de haver uma evasão de impostos e taxas na frota nacional, devido aos desafios da fiscalização, segundo o Denatran, os recursos obtidos com a implantação do Siniav terão grande impacto positivo nos cofres públicos, porém, menores do que se comparados aos que se podem atingir por meio da adoção do Brasil-ID.

De acordo com especialistas com quem estive conversando, há uma série de ganhos operacionais e benefícios para agilizar a fiscalização com o Brasil-ID, por meio da integração das informações das mercadorias com o conteúdo da nota fiscal etc. Um exemplo são as operações para exportação nos portos brasileiros. Um estudo feito por pesquisadores da USP, mostra que o trâmite para liberação de uma carga agrícola para exportação pode levar em torno de 46 horas. Utilizando RFID, no entanto, os testes tornaram possível realizar a mesma operação em no máximo duas horas.

A redução da burocracia é um dos principais ganhos do Brasil-ID, mas ainda há a capacidade de se fazer uma fiscalização minuciosa sobre as mercadorias em circulação pelo país, eliminar fraudes, como falsificações, e evitar a evasão fiscal. Ou seja, um caminhão poderá ter em seu chip de identificação de mercadoria, todas as informações sobre a carga, como valor, peso, quantidade, validade etc. Além disso, o chip de identificação do caminhão dará todo o seu trajeto, desde a origem até o destino final, tornando muito mais difícil a ocorrência de extravios e, até mesmo, de roubo de cargas.

Para se ter uma ideia, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estaria criando um sistema para identificação dos caminhões antes mesmo da implantação do Siniav, mas atendendo aos mesmos padrões do sistema de rastreamento veicular do von Braun. Isto só para viabilizar o Brasil-ID o quanto antes.

Em meio a todas as informações, opiniões e até especulações, uma coisa, porém, é certa: o reconhecimento da eficiência e da importância da RFID já foi alcançado. Pode levar mais alguns meses, mas a adoção desta tecnologia pelos programas de governo não tem volta, porque o ROI está garantido para todos os projetos.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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