Notas do Editor

Será que a RFID irá nos escravizar?

Há quem diga que robôs e outras tecnologias tornarão os trabalhadores humanos obsoletos, mas também há quem veja novas oportunidades para as pessoas

Por Mark Roberti

15 de julho de 2014 - Tem havido um grupo crescente de especialistas que afirmam que os avanços na inteligência artificial e robótica tornarão trabalhadores humanos obsoletos. O argumento é mais ou menos assim: o poder da computação ficou incrivelmente barato e, ao mesmo tempo, estamos vendo avanços em robótica, como máquinas que aprendem e enxergam, que podem permitir que os robôs façam quase tudo o que um humano pode fazer hoje.

Em fevereiro, escrevi sobre um artigo da edição de dezembro de 2013 da revista Wired, intitulado Better Than Human: Why Robots Will—And Must—Take Our Jobs" (Melhor do que humanos: por que os robôs irão – e deverão mesmo – tomar os nossos postos de trabalho). Nesse artigo, o autor Kevin Kelly argumenta que logo veremos uma onda de robôs tomando a maioria dos postos de trabalho que as pessoas ocupam hoje. "Sim, caro leitor, mesmo você terá o seu trabalho levado por máquinas", escreveu. "A substituição por robôs é apenas uma questão de tempo" (veja A Era dos Robôs).

Kelly não está sozinho. Os economistas Jeffrey D. Sachs e Laurence J. Kotlikoff escreveram um artigo no ano anterior para o U.S. National Bureau of Economic Research, com o título "Smart Machines and Long-Term Misery" (Máquinas inteligentes e miséria a longo prazo), alegando que as máquinas vão substituir os trabalhadores pouco qualificados e deixar as pessoas em pior situação. E dois professores da MIT Sloan School of Management, Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, escreveram um livro chamado The Second Machine Age: Work, Progress, and Prosperity in a Time of Brilliant Technologies (A Segunda Era das Máquinas: trabalho, progresso e prosperidade em um tempo de tecnologias brilhantes). Mesmo mais imparciais do que outros trabalhos, estes afirmam que estamos correndo o risco de perder a "corrida contra a máquina."

Como a RFID permite que os computadores interajam com o mundo real de uma forma tida como muito cara ou impossível no passado, tenho pensado sobre o seu efeito sobre os trabalhadores durante os anos. As tecnologias RFID permitirão que os robôs diferenciem as coisas que parecem muito semelhantes, mas que são, de fato, diferentes. Por exemplo, a tecnologia permitirá a um robô ajudar um cliente a pegar muito mais rapidamente os seus jeans de uma pilha de itens que parecem praticamente idênticos.

A RFID já teve algum impacto sobre o mercado de trabalho. Eu não tenho nenhuma estatística, mas estou certo de que menos pessoas trabalham como cobradoras de pedágios hoje do que há uma década, uma vez que muitas agências de transportes em todo o mundo adotaram sistemas de coleta de pedágio automatizados que utilizam a tecnologia RFID.

Mas nunca acreditei que a RFID e outras tecnologias podem significar o fim dos trabalhadores. Afinal, as empresas têm investido bilhões de dólares em TI durante os últimos 50 anos e empregam muito mais trabalhadores do que nunca (mesmo que a taxa de desemprego mantenha-se globalmente muito alta). Steve Ratner, um ex-conselheiro do Tesouro dos Estados Unidos e o homem que liderou o esforço bem sucedido do governo Obama para reestruturar a indústria automobilística, após o colapso financeiro de 2008, aparentemente concorda comigo.