Notas do Editor

Para colocar tags em panelas e frigideiras

Há poucos anos, alguns pensavam que a RFID não poderia ser empregada em produtos com líquidos ou metais. Mas a Marks & Spencer provou que estes estavam errados

Por Mark Roberti

7 de julho de 2014 - Após a crise financeira global, em setembro de 2008, o Walmart decidiu parar de exigir de fornecedores que usassem tags em pallets e caixas. Nenhum outro varejista ocupou o posto de locomotiva da identificação por radiofrequência e o Walmart foi forçado por fornecedores a continuar gerenciando inventários separados (uns com tags e outros sem), ou ir para outra direção. A empresa optou por ir em uma direção diferente e começou a usar tags nas calças jeans de marca própria.

Os jornalistas e analistas de negócios, sem saber da mudança de direção do Walmart, declararam que a RFID praticamente estava morta. Eles diziam que a tecnologia não funcionaria em ambientes com água ou metal, o que limitava o seu valor ao varejo e outras aplicações. Afinal, muitos produtos em lojas (panelas e frigideiras) e na fabricação (a maioria das peças de máquinas) são compostos por metal.

Na época, eu considerava a venda do RFID Journal por qualquer oferta inicial, e começando um novo site para "mashups corporativos" – uma das 10 tops tecnologias estratégicas mostradas pelo Gartner em 2009.

Estou brincando, claro. Eu nunca considerei vender o RFID Journal e nunca duvidei dos engenheiros inteligentes que acabariam por superar os desafios de etiquetagem de alguns produtos. A Marks & Spencer provou minha fé em inovação. A M&S decidiu usar tags em todos os itens não-alimentícios de todas as suas lojas, incluindo panelas e frigideiras, bem como perfumes e outros itens que não se previam possíveis no passado.

A Marks & Spencer trabalhou de perto com a Avery Dennison Retail Branding and Information Solutions (RBIS) para projetar tags RFID EPC Gen 2 em diferentes tamanhos e formas para uma ampla variedade de produtos, incluindo itens que contenham metais ou líquidos. As tags também atendem às exigências estéticas de cosméticos. Ao todo, existem 10 formatos de tag que cobrem todos os itens.

Para assegurar que os códigos podem ser interrogado em objetos de metal, cosméticos e perfumes, a M&S realizou testes em uma loja simulada localizada na sede da empresa. Uma vez que a equipe havia assegurado consistência, com as tags sendo lidas sobre os diversos materiais, a varejista começou a testá-las em lojas. Somente quando estava plenamente convencida de que tinha tags confiáveis decidiu lançar a tecnologia para todos os itens não-alimentares, em toda a cadeia.

Demos, então, o prêmio de 2014 RFID Journal Award por Melhor Implantação para a Marks & Spencer, pelos seus esforços em RFID (dividindo o prêmio com a aplicação de RFID da construtora australiana Bechtel. A varejista abriu o caminho para que outros possam usar RFID em todos os itens. Talvez mais importante, a M&S calou aqueles que diziam que a RFID não pode ser usada com líquidos e metal. Estou feliz por não jogar a toalha e lançar o Enterprise Mashups Journal.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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