Notas do Editor

A Era dos Robôs

Tecnologias de RFID e visão tornarão possível que os robôs interajam de modo jamais visto com o mundo a seu redor

Por Mark Roberti

5 de fevereiro de 2014 - Em dezembro de 2013, a revista Wired publicou um artigo escrito por Kevin Kelly, intitulado "Better Than Human: Why Robots Will—And Must—Take Our Jobs (Melhor que humanos: por que os robôs irão tomar nossos empregos. "No artigo, Kelly argumenta que logo veremos uma onda de robôs assumindo a maior parte dos postos de trabalho que as pessoas têm hoje, assim como a maioria dos trabalhos artesanais desapareceu durante a Revolução Industrial. "Sim, caro leitor, até você terá o seu trabalho tomado por máquinas", escreve ele, "a substituição por robôs é apenas uma questão de tempo".

A mudança na qual os seres humanos criarão tarefas para os robôs fazerem, escreve Kelly: "está sendo conduzida para uma segunda onda de automação, que é centrada na cognição artificial, sensores baratos, aprendizado de máquinas e inteligência distribuída". Sua afirmação de que 70% dos postos de trabalho atuais serão realizados por robôs desencadeou uma discussão aquecida nos fóruns da internet. Mas eu acho que Kelly está certo quando diz que os robôs terão um grande impacto no emprego e na sociedade ao longo dos próximos 20 ou 30 anos.

As duas grandes vantagens que os seres humanos tiveram historicamente sobre os robôs são a sua capacidade de reconhecer o que está acontecendo ao seu redor e tomar decisões sobre o que fazer em resposta. Kelly está certa ao dizer que estas vantagens estão sendo derrubadas. Ela nunca menciona a identificação por radiofrequência, talvez sejam o que chamou de "sensores baratos". Mas é claro para mim que RFID e tecnologias de visão (a capacidade das máquinas analisarem e interpretarem o que "veem" em vídeos), combinadas com o poder de computação que está se tornando maior e mais barato, permitirá que robôs interajam com o mundo como nunca antes.

A RFID e a visão darão aos robôs a capacidade de ver e reagir no mundo real. Robôs industriais atuais têm rotinas altamente repetitivas: pegam um item específico que estará sempre precisamente no mesmo lugar e o anexam a um componente exatamente da mesma maneira. Mas imagine se os robôs puderem andar ao redor de prateleiras dentro de uma fábrica, ler etiquetas RFID de 50 itens ligeiramente diferentes e escolher a resposta certa? Isso permitiria um nível de personalização que não poderia ser realizado de forma rentável hoje. Os seres humanos cometem erros, pegam o item errado de vez em quando. Os robôs leem etiquetas RFID e seguem as instruções do computador, no entanto, acertando 100% das instruções.

Os robôs móveis equipados com leitores de RFID poderiam fazer todos os tipos de trabalhos que os seres humanos devem fazer agora. Um robô poderia localizar o par correto de sapatos para um cliente entre milhares de pares no estoque de uma loja. Também poderia pegar os pratos na cozinha e trazê-los para a mesa correta em um restaurante (guiado por etiquetas RFID no chão, tecnologia de localização em tempo real ou sistemas de visão). Robôs poderiam, de fato, ser programados para cozinhar alimentos na maioria dos restaurantes.

A RFID será importante para o desenvolvimento do robô, porque fornece uma forma barata de distinguir entre os itens que parecem muito semelhantes ou só para localizar, identificar e pegar itens. A visão será importante para reconhecer rostos humanos (seu concierge do hotel pode em breve ser um robô), navegando em ambientes com outros seres humanos e obstáculos móveis e executando com precisão as tarefas. Um robô provavelmente poderá usar RFID para identificar uma peça e, em seguida, utilizar sistemas de visão para assegurar que esse componente foi posto precisamente no lugar certo em uma linha de montagem. E provavelmente empregar a tecnologia de visão para identificar o cliente de uma loja de varejo que pediu para ver, por exemplo, um par de tênis Nike tamanho 10 em uma cor diferente.

Kelly sugere que a Era dos Robôs terá uma transformação tão dramática como a Revolução Industrial ou a Era do Computador, com deslocamentos maciços de empregos. Ela pode estar certa. As empresas terão de se adaptar, assim como todos nós.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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