Notas do Editor

Oportunidades cada vez maiores no país

O editor do RFID Journal Brasil, Edson Perin, articula ideias sobre o que o mercado local tem oferecido tanto para investimentos privados como públicos

Por Edson Perin

4 de fevereiro de 2014 - No final do ano de 2013, mencionei em um artigo como este as amplas oportunidades que o amadurecimento do mercado de identificação por radiofrequência (RFID) tem aberto no Brasil, tanto para os atuais e futuros usuários como para os investidores ou empreendedores interessados nos lucros para quem se estabelecer de modo inovador e atento no segmento de desenvolvimento de soluções baseadas na tecnologia de ponta da RFID (leia em Oportunidades e visões para 2014). Isto já vem acontecendo. Ou seja, não fiz nenhuma previsão com bola de cristal, apenas escrevi sobre uma constatação bastante visível.

O que está acontecendo bastante intensamente, no entanto, e que tenho notado por meio de conversas com diversos fornecedores de soluções, além de usuários ou candidatos a usuários da tecnologia RFID, tem sido o aumento do interesse pela tecnologia motivado pelos casos de sucesso já conhecidos, especialmente os que temos documentado neste site do RFID Journal Brasil e também no nosso evento anual no país, o RFID Journal LIVE! Brasil, ou pelos projetos que estão na boca do forno, inclusive a mando dos governos em suas três esferas: municipal, estadual e federal.

Edson Perin, editor do RFID Journal Brasil
Outro dia, inclusive, recebi um email de um executivo peruano de uma empresa de tecnologia RFID daquele país, que me pedia mais informações sobre os projetos do governo brasileiro em andamento na área de RFID. Ele buscava ideias para apresentar para as autoridades peruanas sobre como melhorar atividades de governo eletrônico (e-gov), por exemplo, com base na experiência e nos projetos brasileiros.

Alguns dos exemplos que dei para ele foram alguns já tidos – por mim e por muitos – como clássicos: Siniav, Brasil-ID, Chip do Boi, Uniformes Escolares, Passaporte Eletrônico com chip etc. Todos, inclusive, assuntos que estou aguardando dados atualizados das autoridades governamentais sobre seu andamento. Mas também mencionei oportunidades que ainda precisam ser melhor amadurecidas nas mentes de nossos governantes, como o uso de RFID para rastrear e dar garantia de autenticidade a medicamentos e outras substâncias de uso controlado.

Aliás, falando em substâncias e produtos de uso controlado, um dos cases que em breve será publicado neste site aborda o uso de RFID para controle de explosivos, tanto sua circulação pelo país, como validade e qualidade para uso destes produtos. Quem teve a oportunidade de participar do RFID Journal LIVE! Brasil 2013 e visitou a área de exposições com interesse deve ter tido a chance de falar com um dos criadores desta solução, que estava discretamente apresentando seus resultados brilhantes.

Impossível deixar de notar para quem está observando intensamente a RFID, como é o meu caso e de muitas das pessoas com quem mantenho contato próximo no Brasil e no mundo, que há milhares de aplicações para as quais a tecnologia poderia significar ganhos enormes, não apenas em economia de recursos e desperdício, mas principalmente em qualidade e segurança.

Lógico que o varejo, de um modo geral, pode obter resultados da RFID bem maiores do que se dava conta há poucos anos. “O custo das tags caiu e isto está ajudando as empresas a conquistar resultados”, dizem alguns, mas eu não vejo bem assim. O que me parece é que a redução do custo das tags tornou sim mais fácil apresentar um projeto de RFID e de esta proposta ser aceita para testes.

Pelo que tenho estudado sobre RFID nos últimos anos, o custo da tag (etiqueta) de RFID pode significar muito pouco diante dos ganhos de muitas empresas, em diversos setores, com o uso da tecnologia. Em muitos casos, a simples mudança de processos e a economia gerada por esta alteração no modo como se faziam as coisas antes da RFID já paga o investimento na tecnologia com rapidez (ROI ou retorno sobre o investimento) e ainda promove resultados que impactam diretamente na eficiência e na economia de recursos... ou seja, garante que mais dinheiro fique no caixa.

Vamos pensar em um controle de estoques de uma loja de varejo de vestuário, por exemplo: com códigos de barras, a eficiência da contagem de SKUs (Stock Keeping Units) não passa de 96% a 97%, quando feita em escala reduzida. Nas grandes companhias esta eficiência pode ser ainda menor: abaixo de 90%. Com RFID, os resultados beiram os 100%, seja com 10 unidades ou 10 milhões.

Em termos de custos, basta comparar as horas gastas para se fazer leituras de códigos de barras, quase que manualmente, com o modo quase instantâneo da RFID. Para falar de oportunidades de negócios, a meu ver, precisamos falar de custos e benefícios. E esta tem sido a nossa forma pioneira e inivadora de trabalhar a informação e o conhecimento no RFID Journal.

Edson Perin é editor do RFID Journal Brasil.

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