Notas do Editor

Companhias aéreas podem se beneficiar da RFID

Apesar de um declínio no número de ocorrências, as malas extraviadas ainda custam US$ 2,6 bi por ano para a indústria aérea global

Por Mark Roberti

17 de setembro de 2013 - A SITA, provedora global de serviços de comunicação e TI para a indústria aeronáutica, lançou seu nono estudo anual sobre manuseio de bagagem. A notícia é boa e ruim. O número de malas extraviadas caiu de 8,99 por 1.000 para 8,83 por 1.000. Isso é muito bom, já que a indústria da aviação lida com 3 bilhões de passageiros por ano, mas não está claro se esse declínio foi devido ao menor número de pessoas despachando bagagens ou por melhorias operacionais. Agora, a má notícia: uma mala extraviada custa um extra de US$ 100 para as companhias aéreas. Com isso, 26 milhões de malas extraviadas representaria um custo de US$ 2,6 bilhões.

Para mim, esse é um número impressionante e um cálculo de back-of-the-envelope sugere que a RFID pode oferecer benefícios significativos ao longo de um período de 10 anos. Vamos fazer algumas contas rápidas. O relatório da SITA não fornece um número total de malas manuseadas, mas vamos dizer que seja de 3 bilhões por ano (algumas pessoas viajam sem bagagem, enquanto outros têm dois ou três itens). Custando 20 centavos de dólar cada tag, o investimento seria de US$ 600 milhões para etiquetar as bagagens. E digamos que os maiores 1.000 aeroportos do mundo precisariam de 1.000 impressoras de etiquetas RFID cada um, a um custo de US$ 2.000 cada. Isto levaria a um investimento total de US$ 2 bilhões em leitores, sobre os US$ 600 milhões das tags.

A RFID pode eliminar completamente os erros de manuseio de bagagem e reduzir o número de 26 para 6 milhões, poupando US$ 2 bilhões por ano. Isso significa que as companhias aéreas teriam de investir US$ 2,6 bilhões para recuperar US$ 600 milhões só no primeiro ano.

Mas, durante dois anos, as companhias aéreas e aeroportos não precisariam comprar qualquer insumo adicional para impressoras e poderiam apenas manter o que já haviam comprado. Teriam de comprar mais transponders, no entanto, economizando cerca de US$ 1,4 bilhão.

Vamos supor que o número de malas cresça 5% ao ano a cada ano por 10 anos - e, por uma questão de simplicidade, vamos dizer que o custo das tags permaneça em 20 centavos de dólar. O número total de tags consumidas por mais de 10 anos seria de aproximadamente 40 bilhões de unidades, a um custo de US$ 8 bilhões. Adiciona-se o investimento de US$ 2 bilhões em impressoras de etiquetas RFID e, o total de mais de uma década, soma cerca de US$ 10 bilhões. Se as economias com RFID permanecerem estáveis em US$ 2 bilhões por ano, totalizando US$ 20 bilhões durante uma década, o que (menos o investimento de US$ 10 bilhões) significaria para as companhias aéreas uma economia global de US$ 10 bilhões.

Então por que não fazer o investimento? Bem, há um certo número de razões. Por um lado, muitas companhias aéreas estão cortando custos atualmente. Investir milhões em sistemas de manuseio de bagagem pode poupar dinheiro a curto prazo, mas as empresas precisam ter certeza de que sobreviverão o longo prazo. Isto significa investir em publicidade e, talvez, atualizar seus planos para atrair mais clientes.

Eu também tenho dito que as companhias aéreas muitas vezes não fornecem as impressoras de etiquetas, pois os aeroportos o fazem. Isto significa que os aeroportos teriam que gastar dinheiro para melhorar as suas instalações e não necessariamente conseguir grandes economias. Portanto, parece que a RFID não pode ser usada para levar as suas malas para o lugar certo a curto prazo, exceto em instalações com visão de futuro, como os aeroportos Hong Kong International e McCarran International, de Las Vegas.

Uma opção para as companhias aéreas e aeroportos seria formar um consórcio para lidar com toda a bagagem e, talvez, todos os carrinhos de comida. As companhias aéreas podem pagar uma taxa para cada item ou uma taxa anual com base no volume. Todos os lucros, após pagar o investimento inicial, poderiam ser compartilhados entre as companhias aéreas e os aeroportos participantes do consórcio.

Trocando em miúdos, eu só espero não ser um dos 26 milhões ou mais passageiros que terão as malas extraviadas no próximo ano.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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