Notas do Editor

O papel da RFID na Segurança Alimentar

Com o governo dos EUA buscando a prevenção de surtos de doenças por origem alimentar, já é tempo de os produtores adotarem a nova tecnologia

Por Mark Roberti

30 de julho de 2013 - Na semana passada, a U.S. Food and Drug Administration (FDA), do governo dos Estados Unidos (EUA), propôs novas regras para o setor de alimentos e bebidas. As novas regras fazem parte da lei Food Safety Modernization Act, que foi assinada em janeiro de 2011, após vários surtos graves de enfermidades transmitidas por alimentos nos EUA. Os regulamentos propostos pela agência exigem que os importadores assumam uma maior responsabilidade sobre a comida que trazem para o país, com a inversão do ônus da inspeção do FDA para as empresas privadas.

Não está claro como essas regras serão aplicadas ou se a FDA vai emitir exigências de rastreabilidade adicionais. Mas é certo que as empresas terão de fazer um trabalho melhor de assegurar que o alimento não esteja contaminado e forneça uma maneira de rastrear rapidamente a origem de todos os itens alimentares.

No passado, isso teria colocado um enorme fardo sobre as empresas. Exigindo que os trabalhadores de países estrangeiros tivessem de escanear códigos de barras únicos em casos de fruta originárias de diferentes fazendas, o que teria sido impossível. Não só os códigos de barras necessitam de intervenção humana, como também são inutilizados pela lama.

A tecnologia RFID, por outro lado, pode automatizar a coleta de dados. As etiquetas passivas em recipientes de plástico podem ser lidas quando os recipientes são carregados em caminhões, enquanto os dados de GPS podem ser relacionados às leituras, de modo que a origem de cada produto seja registrado. Sensores de temperatura assistidos por baterias, no entanto, podem garantir que as mercadorias foram armazenadas na temperatura adequada em toda a cadeia de abastecimento.

Percebo que para os agricultores, particularmente os pequenos, o custo de implantação de uma solução RFID pode ser um obstáculo. O FDA não vai impor uma tecnologia específica, por isso, as pequenas podem empregar códigos de barras em alguns casos e tags RFID com sensores de temperatura em pallets, a fim de reduzir custos. Isto poderia proporcionar níveis altos de rastreabilidade, bem como os dados de temperatura, tanto de pallets como do que está armazenado neles.

A FSMA dá à FDA o poder de realizar recalls. Estes são caros e podem ser economicamente devastadores para produtores e distribuidores. A maior rastreabilidade dos alimentos pode custar mais aos agricultores no curto prazo, mas se lhes permitir identificar a origem de alimentos contaminados rapidamente, então pode ajudar as empresas a evitar um recall e a economizar um monte de dinheiro no longo prazo.

Valerá a pena o investimento em novas tecnologias? Eu sei que muitas fazendas lutam por não concordar, mas acredito que a RFID pode fazer sentido financeiro. Além do mais, poderia ajudar a proteger o público de alimentos contaminados e ajudar os comerciantes de alimentos a evitar recalls caros que poderiam manchar suas valiosas marcas.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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