Notas do Editor

O que aflige a Microsoft

A tão discutida reorganização é necessária, mas nem tanto quanto manter o foco na próxima grande onda, em vez de correr atrás do último grande evento

Por Mark Roberti

22 de julho de 2013 - Os meios de comunicação de negócios foram inundados na semana passada, com artigos sobre o plano da Microsoft de se reorganizar e acabar com divisões de produtos. A maioria dos artigos que li sugeriu que o objetivo do CEO Steve Ballmer era tornar a Microsoft mais como a Apple, que está organizado por funções, em vez de produtos. Eu não estou no negócio de dizer a outros CEOs como gerem as suas empresas, mas acho que o problema da Microsoft refere-se a visão – e isso é um problema comum da maioria das empresas de tecnologia. Deixe-me explicar.

Toda grande empresa (exceto, talvez, a Apple) tem divisões que vendem produtos diferentes. Estas competem entre si para demonstrar seu talento dentro da companhia, para obter verbas de marketing e a atenção do CEO. As várias divisões não gostam de vender produtos umas das outras, porque são recompensadas com base no desempenho de suas próprias divisões. Isto não é incomum e para muitas empresas faz bem. Basta olhar para a General Electric. Suas divisões operam como empresas praticamente separadas e têm sido muito bem sucedidas.

Na minha opinião, o que aflige a Microsoft tem sido um foco singular em seguir a última grande onda que passou. Quando o mercado de MP3 começou a crescer graças ao iPod da Apple, a Microsoft teve de criar o Zune. Quando o setor de publicidade passou a entregar bilhões de dólares para o Google, a Microsoft decidiu criar o Bing. Quando o iPhone tornou-se popular, os senhores de Seattle tiveram de entrar no mercado de software para celulares. Quando o iPad decolou, a Microsoft criou o tablet Surface. E ainda agora a Microsoft não conseguiu avançar muito nesses mercados. De acordo com a IDC, provedora de inteligência de mercado, serviços de consultoria e eventos de tecnologia da informação, telecomunicações e de consumo, a fatia de mercado da Microsoft em tablets é de apenas 1,8%, em comparação com os 40% da Apple.

Se Steve Ballmer lesse os livros de Geoffrey Moore, ele saberia que deslocar um gorila (um fornecedor de tecnologia dominante) é muito difícil. Talvez a Microsoft tenha aprendido a lição errada em sua primeira batalha com um gorila. A Netscape dominou o mercado no início dos navegadores de Internet, mas a Microsoft aproveitou todos os seus recursos e esmagou a empresa entrante. Como resultado, a Microsoft parece ter achado que poderia combater gorilas. Mas, em vez disso, a empresa deveria ter aprendido que gastou recursos maciços para combater uma pequena empresa como a Netscape, por isso seria duvidoso acreditar que pudesse desalojar empresas ricas como a Apple ou a Google.

E o que isso tem a ver com RFID? Duas coisas.

Primeiro, RFID é uma grande oportunidade para a Microsoft e para muitas outras empresas de tecnologia. A Microsoft tem um produto bom de RFID chamado BizTalk RFID. Mas em meio ao foco de perseguir a última grande onda que passou, a empresa não tem feito muito com o seu produto em um mercado que poderia dominar.