Notas do Editor

RFID: de hoje para o futuro

Evento do CPqD revela diversos ângulos da tecnologia, mas não deixa dúvidas sobre sua adoção em larga escala no Brasil

Por Edson Perin

25 de junho de 2013 - Nos dias 19 e 20 de junho, participei do I Workshop Internacional de RFID e IoT (Internet das Coisas) promovido pelo CPqD, em Campinas (SP), onde inclusive mediei um dos debates. Em pauta, diversos assuntos como os projetos do governo brasileiro com suporte da identificação por radiofrequência (RFID); certificação e homologação; políticas públicas e financiamento para a tecnologia; além de avanços tecnológicos e da padronização EPC Gen2 para a sua segunda versão (EPC Gen2 v.2 ou só EPC G2), evolução que deve ocorrer ainda neste ano.

O evento contou com a presença de representantes de empresas de tecnologia RFID, como Chris Diorio, executivo da Impinj; e Marcelo Lubaszewski, da Ceitec; e de laboratórios como o Von Braun, representado por Daniel Junqueira; e do RFID Center of Excellence (CoE), por Armando Lucrécio.

Edson Perin, editor do RFID Journal Brasil

Também participaram autoridades do governo federal como João Bosco de Freitas, representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Marconi Maya, pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); André Nunes, pela Agência Brasileira de Inovação (Finep); e Manoel Poppe de Barros, da estatal Empresa de Planejamento da Logística (EPL); além do representante brasileiro da GS1, responsável pelo padrão internacional EPC (Electronic Product Code), Wilson Cruz.

As discussões se estenderam pelos dois dias, com ampla participação da plateia, que debateu temas como os projetos Siniav e Brasil-ID, além de iniciativas com a tecnologia RFID para cobrança de pedágios, monitoramento e autenticação de remédios, controle de passaportes, entre outras. Mas uma coisa ficou bastante clara nos dois dias de evento: o futuro do Brasil e do mundo passa pela RFID em vários níveis, com adoção em larga escala nos próximos anos.

Em suas duas palestras, Diorio falou sobre os avanços da tecnologia para atender as necessidades do mercado, relatando que hoje o setor de varejo, por exemplo, pode contar com a tecnologia para suprir todas as suas necessidades de identificação de produtos, localização e autenticação. Além disso, segundo o executivo da Impinj, a indústria de eletroeletrônicos terá grandes benefícios da inserção de chips RFID dentro dos circuitos impressos ou processadores dos aparelhos, evitando fraudes e furtos. Além disso, ele mencionou a evolução do padrão EPC Gen2, cuja entrega está prevista para este ano, que deverá melhorar diversos aspectos da tecnologia, especialmente em relação à segurança.

Na mesa redonda que mediei com autoridades brasileiras, a identificação por radiofrequência passou por uma análise dos projetos de governo em andamento e pelos desafios burocráticos para a liberação de verbas para o financiamento das pesquisas no país. Segundo Freitas, do MCTI, ainda há muito desconhecimento do público, o que inclui empresas de um modo geral, sobre os recursos disponíveis para desenvolver projetos e contratar pessoal técnico especializado.

Outro tema abordado foi a frequência do RFID UHF no Brasil e no mundo. Marconi Maya, da Anatel, que assumiu o novo posto na agência 50 dias antes do evento do CPqD, apresentou um estudo sobre o uso de uma parte do canal destinado à RFID pelas operadoras de celular, no Brasil, ou de trens, na Europa. O assunto desperta atenção, pois há muitos investimentos a serem protegidos, realizados por empresas fabricantes de tags, leitores e também por usuários.

Sobre Siniav e Brasil-ID, o representante do Von Brown mostrou o projeto de desenvolvimento do sistema desde 2007 até agora, mas ainda sem previsão de entrada em funcionamento, o que ainda depende do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O Siniav, por exemplo, teve sua implantação marcada e remarcada várias vezes desde 2012. Agora, só em 2014, se a burocracia estatal ajudar.

O pedágio Ponto-A-Ponto, no entanto, projeto da Artesp – agência do governo do Estado de São Paulo que gerencia rodovias – está mais avançado. Segundo o executivo do Von Brown, o novo sistema de pedágio que cobra pelo uso da rodovia está totalmente baseado na tecnologia do Siniav, o que deve facilitar sua ampla utilização quando o projeto federal decolar.

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