Notas do Editor

RFID e o Futuro da Engenharia

Todos os engenheiros de todas as especialidades terão de dominar a tecnologia de identificação por radiofrequência em poucos anos

Por Mark Roberti

24 de junho de 2013 - Na semana passada, meu filho mais velho se formou no colegial. Em breve, irá para o Worcester Polytechnic Institute (WPI), em Worcester, Massachusetts, para estudar engenharia. Ele ainda não sabe bem que tipo de engenharia irá estudar, mas tem olhos para design e pode se dedicar ao desenvolvimento de produtos. Eu brinquei dizendo que ele deveria se tornar um engenheiro RF, já que eu poderia ajudá-lo a encontrar um emprego nesta área, mas a realidade é que quase todo engenheiro de toda especialidade terá de dominar o básico de identificação por radiofrequência (RFID) dentro de alguns anos. Vale lembrar que a WPI não tem um currículo RFID separado, mas a tecnologia faz parte de vários campos.

Os engenheiros industriais que lidam com sistemas de produção complexos precisarão compreender como a RFID pode ser usada para controlar o processo de trabalho e otimizar a produção. Eles terão de entender como as ondas de rádio se comportam em ambientes de manufatura, onde há um monte de metal, que interferem no fluxo da RF.

Os engenheiros aeroespaciais precisam entender o papel da RFID na construção e manutenção dos aviões que projetam e construem. A Airbus, a Boeing e outras grandes empresas de aviação estão utilizando a tecnologia para controlar o histórico e o armazenamento de peças. É provável que muitos dos sensores de aviões no futuro serão baseados em RFID que elimina a fiação. Isso muito bom, já que os fios aumentam o peso de um avião, reduzindo a eficiência do combustível, além de serem uma fonte potencial de incêndios.

A engenharia biomédica é um campo também importante. Como vimos neste ano no prêmio para o uso mais inovador de RFID do RFID Journal Awards, a tecnologia vai impactar o desenvolvimento de próteses (veja RFID Helps Amputees Manipulate Prosthetic Hands e Most Innovative Use of RFID Winner). A RFID está sendo empregada para monitorar os instrumentos médicos, mas em um futuro próximo, será utilizada em implantes e como parte de tratamentos médicos.

Por exemplo, a SenoRx, fornecedora de equipamentos de diagnóstico e tratamento de câncer de mama, está trabalhando para introduzir uma solução RFID para radiologistas, como um novo método para a marcação do local de um tumor antes da cirurgia. O sistema, de acordo com a companhia, promete reduzir o risco de infecção, ao ajudar os cirurgiões a localizar lesões com precisão.

Os engenheiros civis terão de entender como a RFID pode ser usada para rastrear e gerenciar materiais, ferramentas, equipamentos e trabalhadores em grandes projetos de construção. É provável que, em poucos anos, os sensores RFID vão se tornar parte integrante de qualquer ponte, túnel, edifício ou outra estrutura. Os sensores sem fio podem detectar corrosão em pontes, por exemplo, bem como gases perigosos, excesso de humidade, fungos e outros fatores que podem tornar uma estrutura perigosa para as pessoas que a ocupam.

Os engenheiros mecânicos terão de incorporar a RFID nas máquinas que projetam para dar diagnóstico e manutenção e para agregar valor. Há muito tempo imaginei que as máquinas de lavar roupa vão reconhecer as roupas e ajustar o ciclo de limpeza de acordo com as especificações de cada peça, enquanto as geladeiras vão avisar você quando leite ou outros produtos precisarem de reposição.

Os engenheiros elétricos já estão incorporando RFID em PCs e tablets. E no dia 3 de outubro de 2013, o RFID Journal irá promover o RFID in High Tech, que focará a incorporação de identificação por radiofrequência nos produtos eletrônicos, para melhor gerir produção, transporte, segurança e venda. A RFID também permitirá que os varejistas possam personalizar produtos mesmo quanto estes ainda estão dentro da caixa.

Além disso, engenheiros ambientais estão incorporando RFID em sistemas de recolha de resíduos, separação e reciclagem, e estão usando sensores sem fio para monitorar o ambiente. Essas aplicações vão se tornar cada vez mais comum e sofisticadas. E, claro, engenheiros de computação e rede serão responsáveis por incorporar a coleta de dados por RFID em sistemas e redes de energia de todas as empresas e organizações.

Meu filho ainda não percebeu isso ainda, mas este é um momento emocionante para se tornar um engenheiro. As mudanças não serão tão dramáticas como as da Revolução Industrial, mas serão semelhantes a 1980, quando passamos das máquinas de escrever para computadores. E também do início de 2000, quando passamos a trocar os telefones fixos pelos móveis. Eu mal posso esperar para ver o que sua geração fará com RFID.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.

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