Notas do Editor

O encanto tecnológico

Tem gente que fica tão entusiasmada quando vê do que a tecnologia RFID é capaz, que mal consegue esperar para usar em seus negócios

Por Edson Perin

20 de março de 2013 - Outro dia, ao dar uma palestra sobre Tecnologias para Negócios, com foco em RFID (identificação por radiofrequência), a alunos de pós-graduação de uma faculdade privada de São Paulo (SP), um rapaz me perguntou se poderia usar RFID na padaria de seu pai para rastrear produtos, controlar estoque, evitar furtos e criar uma nova experiência de compra, mais sofisticada, para os clientes. Ele estava realmente encantado com a tecnologia, com todos os recursos que tinha visto em cases de dentro e de fora do Brasil da minha apresentação e, por isso, não via a hora de colocar a tecnologia em prática na empresa de sua família.

Edson Perin, editor do RFID Journal Brasil

Dias depois, falando com um executivo de uma grande multinacional fornecedora de soluções de tecnologia RFID, descobri que montadoras de automóveis do Brasil estão empregando identificação por radiofrequência para, assim, conferir um atendimento mais “pessoal”, como os brasileiros gostam. Como ideia principal, encantar os clientes.

Na mesma semana, outro testemunho com o mesmo teor. Um empresário brasileiro, dono de uma desenvolvedora de software e soluções de RFID para o varejo, narrou o entusiasmo de um comerciante de roupas, já na faixa dos 70 anos de idade, que não conseguia se controlar diante do entusiasmo de ver uma demonstração da tecnologia RFID para controle de estoque e automação de ponto comercial. “Não acredito. Preciso mostrar isto para o meu filho. Cadê o meu filho?”, repetia o comerciante, andando de um lado para o outro, como se estivesse em transe.

A conclusão é clara: RFID não significa apenas uma tecnologia avançada para rastrear produtos, permitir grande visibilidade de uma cadeia de suprimentos inteira ou para ganhar eficiência, reduzir custos e ampliar receitas. Além de tudo isto, RFID é uma tecnologia encantadora, sedutora e que inspira a criatividade dos profissionais de negócios, principalmente daqueles que pretendem atingir resultados brilhantes com muita inovação e alta tecnologia.

"Quem vê a identificação automática fica realmente encantado", costuma dizer Manoel Barbin, engenheiro sênior especializado em eletromagnetismo aplicado e antenas, responsável por uma parte das soluções avançadas que saem do RFID CoE. E Barbin completa: "o problema é o RF que vem antes..."

Com esta ironia, o engenheiro faz um alerta bastante razoável sobre as dificuldades que se podem encontrar em projetos que não sejam devidamente desenvolvidos e por pessoas muito qualificadas. “Os engenheiros de hoje acham que vão aprender tudo em poucos meses, mas são necessários anos para um profissional entender os desafios da RF (radiofrequência) e encontrar as saídas para os problemas”, avisa.