Notas do Editor

Muito além do varejo

Quanto mais eu interajo com profissionais interessados em RFID, mais eu me surpreendo com a quantidade de novos projetos e pilotos no Brasil

Por Edson Perin

8 de março de 2013 - De um modo geral, o setor de varejo de vestuário tem sido apontado como o que melhor pode colher resultados da tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) atualmente, tanto pelos expressivos benefícios que pode obter de imediato, com a sua capacidade elevada de geração de ROI (Retorno sobre o Investimento) em curto espaço de tempo, como também pela relativa facilidade de implantação, já que os desafios técnicos para o uso da tecnologia são considerados mais simples.

Isto está em evidência até em estratégias de grandes empresas fornecedoras de tecnologia, como a Motorola Solutions. Mas o próprio mercado tem me mostrado que há outros projetos – alguns grandiosos e sofisticados –em estudo ou, até mesmo, já em testes, que não são de varejo e muito menos de vestuário.

Edson Perin, editor do RFID Journal Brasil

Em vários contatos que tive com a equipe de RFID da Motorola Solutions no Brasil, tenho ouvido que a estratégia global da empresa para os próximos anos envolve Varejo e RFID. E, no caso desta grande companhia, não é apenas o varejo de vestuário que está em foco, pois a Motorola já oferece diversas soluções de automação comercial, especialmente com códigos de barras, para diversas empresas de diversos segmentos do varejo e fora dele, o que certamente favorece a sua entrada com soluções de RFID, mais eficientes e precisas, em todo o mercado que já utiliza seus sistemas.

Além da Motorola, posso citar pelo menos mais três dezenas de empresas fornecedoras de tecnologia que atuam no Brasil, nascidas ou não em território nacional, que declaram aos quatro ventos que estão com a mesma visão. E mesmo analistas, investidores, estudiosos, gente da academia... todos acreditam que o varejo é o setor com maiores índices de benefícios pelo investimento em RFID.

Pois é. Mas há empresas de outros segmentos que nem fazem tanto alarde mas já estão analisando ou já testando a tecnologia em seu dia a dia. Outro dia tive acesso exclusivo a um estudo internacional sobre o mercado de RFID que aponta o Bilhete Único como um dos maiores projetos de identificação por radiofrequência no transporte público em todo o mundo.

O Bilhete Único é o sistema que, por meio de um cartão personalizado, permite que os indivíduos comprem ou obtenham créditos em dinheiro (pode ser vale transporte) para utilizar o transporte público integrado da cidade de São Paulo, composto por linhas de ônibus, metrô e trem. Se o usuário tiver de pegar mais de uma condução, por exemplo, o sistema pode oferecer descontos progressivos. Além disso, o serviço de carga facilita a operação das empresas empregadoras na hora de depositar créditos de vale transporte para seus funcionários.

Mas o transporte público paulistano não está vendo a RFID simplesmente como uma tecnologia para facilitar a operação dos pagamentos. Hoje, o Metrô de São Paulo já utiliza cerca de 4 mil sensores por composição para monitorar o funcionamento de seus trens e também para controlar o desempenho de toda a rede. A experiência positiva nos testes, segundo fontes extraoficiais, fez com que a empresa passasse a desenvolver um projeto que prevê o uso de 80 mil sensores acoplados a tags de RFID.