Notas do Editor

Será que alguém na gestão Obama sabe soletrar RFID?

O presidente pediu para o Congresso dos EUA autorizar uma verba de US$ 1 bi para um mal-definido apoio ao setor de manufatura, ignorando a RFID em seu próprio quintal

Por Mark Roberti

26 de fevereiro de 2013 - A cada ano, o presidente dos Estados Unidos oferece um discurso da União em uma sessão conjunta no Congresso. Esses discursos fornecem listas de coisas a fazer e que o titular do cargo gostaria de ver realizadas, mas que provavelmente nunca irá realizar. Mas eu assisto todos os anos, para ver o que o presidente vai dizer que é importante.

Neste ano, o presidente Barack Obama discutiu a National Additive Manufacturing Innovation Institute, que o seu governo criou em Youngstown, Ohio. "O armazém que estava fechado é agora um laboratório de estado-da-arte, onde os novos trabalhadores estão dominando a impressão 3-D, que tem o potencial de revolucionar a forma como fazemos quase tudo", afirmou. O presidente Obama anunciou que seu governo estava lançando mais três institutos e pediu ao Congresso para alocar fundos para 15 instituições, a um custo adicional de US$ 1 bilhão. Estes centros, explicou, seriam lugares "onde as empresas farão parcerias com os Departments of Defense (DOD) e Energy, para transformar as regiões deixadas para trás pela globalização em centros globais de empregos e alta tecnologia".

Estes institutos podem ser uma boa ideia, mas aqui está também o que me aborrece. Uma das mudanças mais importantes que ocorrerão no setor industrial durante os próximos 20 anos será o uso de identificação por radiofrequência, tecnologias de visão, robótica e outras para reduzir o desperdício e os custos, bem como gerar enormes aumentos de produtividade. Estas mudanças serão tão profundas, na minha opinião, como aquelas causadas pela introdução de computadores nos escritórios.

Ao contrário da internet, que surgiu a partir do governo dos EUA, patrocinando iniciativas, a RFID não está sendo alimentada pelo governo norte-americano. E, ao contrário da internet, que foi impulsionado em grande parte pelos EUA, a inovação da tecnologia RFID é um campo aberto, com empresas de todo o mundo competindo por uma participação importante no mercado. O governo dos EUA ainda pode ajudar a alimentar empresas de RFID nos Estados Unidos.

Infelizmente, ninguém na administração Obama pode soletrar "RFID" ou parece entender o que e como a tecnologia pode beneficiar os fabricantes. Isso é irônico, já que o Departamento de Defesa é um dos maiores usuários de tecnologia RFID no mundo, enquanto o Department of Veterans Affairs (VA) planeja rastrear com RFID os equipamentos e suprimentos de todos os seus centros médicos e instalações.

Posso resumir o apoio da administração Obama ao RFID em uma única palavra: "inexistente". Os governos europeus e da União Europeia têm financiado e continuado a financiar vários projetos, desde 2000. Os governos de Hong Kong, Cingapura e Coréia do Sul também apoiou projetos de RFID em um esforço para dar às empresas uma vantagem no mercado global, enquanto aqueles na Austrália, Brasil e Canadá acreditam que o monitoramento do gado com a tecnologia RFID pode ajudar a crescer suas economias.

Mesmo se você é cético em relação à participação do governo na economia, o governo poderia ajudar a desenvolver a indústria (para o benefício de todas as empresas que usam a tecnologia), pelo menos, para economizar o dinheiro dos contribuintes.

Em vez de alocar US$ 1 bilhão para a fabricação de institutos com mal definidas metas, o governo Obama poderia fornecer US$ 100 milhões em financiamento para projetos de RFID, o que irá poupar do governo pelo menos US$ 1 bilhão ao longo de um período de 10 anos. O VA e o DOD são duas entidades governamentais que adotaram RFID como um meio para se tornar mais eficientes. E há muitas outras agências que poderiam se beneficiar do uso da tecnologia RFID também.