Notas do Editor

Rastreie o que você come

O escândalo da carne de cavalo na Europa é prova de que a cadeia de abastecimento global de alimentos é muito complexa para se monitorar sem RFID

Por Mark Roberti

20 de fevereiro de 2013 - A economia mundial está baseada – em um grau muito maior do que previmos – em confiança. Bancos confiam que quando compram hipotecas securitizadas, a maioria está boa e vai ser paga. Os investidores confiam que as agências de rating estão avaliando os investimentos de forma justa e honesta. Empresas confiam que seus fornecedores estão entregando o que encomendaram. E os consumidores confiam que estão recebendo o que a embalagem ou publicidade diz que estão comprando.

Na maioria das vezes, a confiança funciona. Mas, de vez em quando, acontece algo que expõe o fato de que a nossa confiança é equivocada. Em 2008, nós aprendemos que muitas hipotecas como títulos lastreados nunca seriam pagas e que as agências de classificação não foram exatamente dando aos investidores uma avaliação honesta de alguns produtos.

Recentemente, controles localizados feitos por inspetores de carne irlandeses levaram os consumidores de toda a Europa a perceber que eles podem não estar recebendo a carne bovina que pretendiam. Na verdade, uma inspeção constatou que cerca de um terço da carne de hambúrguer estava composta por carne de cavalo.

Quão ruim é este problema? Ninguém sabe ao certo, mas acredita-se que os vendedores de carne bovina estão fazendo dinheiro, colocando carne mais barata, a de cavalo, em seus produtos e vendê-los como carne bovina pura. A Europol, uma organização que normalmente se destina a inestigar o tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, foi acionada.

A questão aqui é simples: é caro acompanhar cada animal usando papel e caneta ou para inspecionar todos os animais atravessando as fronteiras e criar uma cadeia de custódia, mostrando onde a carne utilizada em um determinado produto foi originada. Cavalos são rastreados, alguns via identificação por freqüência de rádio (RFID), mas o uso de RFID é esporádico. Se ninguém sabe o que está acontecendo com cavalos, fica fácil matar os animais, misturar a carne deles com carne moída e depois descartar as carcaças.

Esta não é apenas uma questão de qualidade. Existe um risco para a saúde humana. Funcionários britânicos descobriram que alguns dos equinos continham vestígios de fenilbutazona, um analgésico anti-inflamatório utilizado em cavalos de corrida, vulgarmente conhecido como bute. O bute é proibido nos animais destinados a consumo humano, porque é potencialmente prejudicial.

A cadeia mundial de suprimento de alimentos atravessa países e continentes. Bilhões de dólares em alimentos se deslocam de um lugar para outro e é impossível monitorar tudo isso com os sistemas atualmente em uso. Isso abre margem para as empresas sem escrúpulos explorarem dezenas de milhares de pessoas e colocá-las em risco. Chegou a hora de usar RFID e outras tecnologias de captura automática de dados para monitorar os animais e os embarques de alimentos.