Notas do Editor

Big (Bad) Data: um monte de dados ruins

Muitas empresas oferecem soluções para o gerenciamento de Big Data, mas poucas admitem que grande parte da informação gerenciada é ruim

Por Mark Roberti

13 de fevereiro de 2013 - Treze anos atrás, eu me interessei por tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) ao relatar o problema da existência de dados ruins sobre a cadeia de abastecimento das empresas, o que levava a planejamentos errados que ocasionavam em problemas de negócios. Eu estava trabalhando para a revista The Industry Standard naquela época e gostaria de saber se as empresas que haviam implantado software da Manugistics e i2 Technologies, para cadeia de abastecimento, estavam alcançando os benefícios desejados. Invariavelmente, a resposta destas empresas era "não".

Quando perguntei por que eles não tinham alcançado os benefícios esperados, a resposta era sempre a mesma: Não foi um problema com o software, mas sim com os dados. As pessoas inseriam informações incorretas, digitalizavam o código de barras errado ou o qualquer outro problema. Isso levava dados ruins para o software.

Eu decidi, então, descobrir quais novas tecnologias podiam resolver o problema. Então, eu estava em uma conferência que não tinha nada a ver com dados ou a Internet e comentei com um executivo de produção sobre a minha busca de uma solução para os dados ruins. E ele disse: "você deve tentar RFID", explicando que a tecnologia permite aos usuários capturar dados automaticamente, eliminando o erro humano da operação.

Estou contanto isso porque, no salão de exposições da National Retail Federation, chamado Big Show, em Nova York, há poucas semanas, testemunhei diversas empresas oferecendo soluções para Big Data. Muitas empresas estavam oferecendo não só soluções para armazenar dados, mas também para analisá-los. Wow! Nós vamos observar informações que, segundo estudos, estão erradas em 35% dos casos e... o que vamos fazer com isto?

Muitas das soluções apresentadas na NRF, incluindo checkout automático, quiosques de auto-atendimento e tecnologias para intensificar a experiência dos clientes, dependem de dados altamente precisos que a identificação por radiofrequência pode proporcionar ou que funcionaria muito melhor se um sistema de RFID fosse implantado. Disseram-me que os executivos da Macy's disseram a um grupo de varejistas de alto nível que o “omni-channel” de varejo não pode ser realizado sem a RFID, porque uma empresa nunca pode ter a precisão de inventário requerida sem esta.

A informação é a alma da maioria das empresas. Mas se o seu empregado da loja olha para um computador e diz ao cliente que tem o item desejado, mas você realmente não o tem, ou se o seu sistema de inventário pensa que você tem 10 itens de um determinado produto, mas você realmente não tem nenhum, então, toda a análise de Big Data estará furada.

Talvez, no próximo ano, a grande moda na NRF seja Clean Data... mas eu duvido. Porque a única maneira de obter bons dados sobre o seu inventário é usar uma tecnologia que os expositores da NRF não entendem, ou seja, RFID.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.
  • « Anterior
  • 1
  • Próximo »