Notas do Editor

Brasil, o país da tecnologia de ponta?

A identificação por radiofrequência está abrindo portas para o país desenvolver tecnologia de software e também de hardware

Por Edson Perin

6 de fevereiro de 2013 - Este é o país do futebol, do carnaval e da matéria-prima, certo? Errado! O Brasil também quer se tornar o “país da alta tecnologia”. Apesar de não ser comparável a Estados Unidos e União Europeia, o Brasil passou a usar e também a desenvolver tecnologias para negócios com mais intensidade nos últimos anos.

A identificação por radiofrequência (RFID) virou um exemplo de tecnologia que está transformando a maneira com a qual as empresas realizam negócios no mundo e no Brasil. A tecnologia RFID sustenta a chamada Internet das Coisas (“Internet of Things”), que torna possível inserir informações sobre produtos e objetos automaticamente nos sistemas.

Aqui no Brasil, o RFID CoE (Center of Excellence), em Sorocaba (SP), desenvolve soluções para negócios com esta tecnologia, tendo como caso de sucesso internacional a fábrica brasileira de impressoras da HP, que monitora todo o processo de manufatura com RFID e realiza a logística reversa de seus produtos para reaproveitar plásticos e outros insumos como matéria-prima reciclada. O RFID CoE realiza pesquisa e inovação, desenvolvendo, por exemplo, antenas para tags e oferecendo capacitação profissional de alto nível.

Outro exemplo fica no Rio Grande do Sul, onde há quatro anos nasceu a Ceitec SA, empresa brasileira de design e manufatura de semicondutores, capaz de produzir chips de altíssima tecnologia, inclusive RFID. Os produtos mais conhecidos são o Chip do Boi, Passaporte Brasileiro e o Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav), criado para rastrear e fiscalizar os veículos por RFID.

Para a Ceitec crescer, no entanto, o modelo teria de ser o de uma Embraer (Empresa Brasileira Aeronáutica SA), que também nasceu para ser “player” em um mercado extremamente competitivo. Assim como a Embraer, a Ceitec foi possível graças ao investimento estatal, o mesmo que pode impedi-la de decolar devido às amarras regulatórias. Por isso, resolvi apelidar a Ceitec de a “Embraer do Silício”, para sensibilizar as autoridades sobre esta promessa brasileira na área da microeletrônica.

Estes são alguns exemplos da busca brasileira pela liderança em Tecnologia da Informação (TI) para Negócios. Só não podemos nos esquecer de educar nossos jovens para o futuro que desejamos.
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