Notas do Editor

Uma nação “Thelma e Louise”

Após o término da eleição presidencial dos EUA, republicanos e democratas ficaram como os personagens do filme de 1991, em uma agradável rota para o abismo

Por Mark Roberti

13 de novembro de 2012 - Eu tenho evitado escrever sobre política nesta coluna, especialmente porque minha proposta de sair candidato à presidência dos EUA não atraiu muitos eleitores (leia mais, em inglês, no artigo Why I'm Running for President). A política pode, no entanto, afetar a capacidade de as empresas investirem em novas tecnologias, incluindo a identificação por radiofrequência, para expandir seus negócios. E, por esta razão, eu acho que chegou a hora de falar de política.

No ano passado, a coisa parecia ir bem durante a primeira metade do ano e, então, o governo federal dos EUA ficou sem dinheiro. O Congresso teve de aumentar o limite legal sobre o que poderia emprestar ("teto da dívida") ou o governo não seria capaz de pagar as suas contas. Os republicanos se recusaram a permitir isto, a menos que o presidente Obama e seu partido concordaram em cortar gastos. As negociações se estenderam, causando um grande grau de incerteza entre os consumidores, que já estavam gastando muito pouco e as empresas, que tinham começando a se tornar mais confiantes.

A economia desacelerou sensivelmente. Falei com algumas empresas que tinham freado gastos com RFID e outros projetos. Eu não quero ver isto acontecer de novo, mas temo que os democratas e republicanos, assim como Thelma e Louise, do filme de sucesso de Ridley Scott, de 1991, estejam em uma agradável rota para o abismo. Neste caso, conhecido como "abismo fiscal".

Abismo fiscal é o termo que a mídia usa para questões distintas que vêm à tona no final do ano. À meia-noite de 31 de dezembro de 2012, os cortes de impostos da Era Bush, assim como algumas isenções fiscais para empresas e cortes de impostos da folha de pagamentos temporárias (resultando em um aumento de impostos de 2% para os trabalhadores) serão expirados. Ao mesmo tempo, os cortes de gastos para o orçamento de defesa, saúde e outros programas do governo, que foram colocados no acordo sobre a questão da dívida, forçarão as partes a negociar um acordo de longo prazo.

Um relatório emitido pelo apartidário Congressional Budget Office (Escritório de Orçamento do Congresso) mostra que, se democratas e republicanos não conseguirem chegar a um acordo sobre cortes de impostos e gastos, como também em outros aspectos relacionados ao abismo fiscal, a economia dos EUA vai oscilar de novo em recessão no próximo ano e a taxa de desemprego provavelmente vai subir para 9,1% até o final de 2013.

Se nossos líderes em Washington não fizerem isso para nós, ou mesmo se eles apenas empurrarem as negociações para frente, levando a uma série de incertezas de curto prazo, a economia será machucada, o que pode levar as empresas a cortar gastos em projetos de tecnologia. Isso é ruim para todos.

Acredito que os empresários devem tomar uma posição ativa e incentivar as partes a abraçar a proposta apresentada pela Comissão Nacional de Responsabilidade Fiscal e Reforma (mais conhecida como a Comissão Simpson-Bowles). Temos de simplificar o código tributário, levantar algumas receitas e cortar gastos. Eu acho que é bastante óbvio para a maioria dos empresários e para a maioria dos americanos. Se as pessoas em Washington são muito complexas para descobrir isso, os empresários devem liderar o caminho.

Mark Roberti é o fundador e editor do RFID Journal.
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