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RFID viabiliza inovação na logística do futuro

Evento sobre transportes realizado em abril, na França, faz pensar sobre como a identificação por radiofrequência pode impactar a logística nos próximos anos

Por Alessandro Santiago dos Santos

25 de junho de 2014 - No mês de abril, em Paris, realizou-se o evento Transport Research Arena 2014. Trata-se de um evento bienal que discute e apresenta os principais desafios da área de transporte e logística na Europa, envolvendo pesquisadores, a indústria e governantes em um mesmo nível de discussões. Neste ano foram quase 3000 participantes, que apresentaram artigos, pôsteres, sessões especiais e soluções tecnológicas com o estado da arte da pesquisa no setor. Mas o que RFID tem a ver com o que foi discutido no evento? Vamos às evidências e hipóteses.

Durante o evento foram apresentadas quais seriam as principais linhas de pesquisa que promoveriam a inovação de ruptura, isto é, aquelas que promovem mudanças em paradigmas tradicionais do transporte e da logística. Foram evidenciadas e relacionadas:

• Integração e comunicação entre veículos, pessoas e mercadorias;

• Veículo autônomo (sem motorista);

• Novos serviços de mobilidade baseados nos dois conceitos acima.

No que tange as hipóteses e a comunicação Veículo x Pessoas x Mercadoria, podemos nos perguntar: quando o veículo sabe exatamente a mercadoria que está carregando, o estado momentâneo desta mercadoria, e os requisitos de transporte em tempo real, será que a tomada de decisão por parte das pessoas ficaria mais clara e assertiva? Ou mesmo, se seria possível definir decisões autônomas com base na comunicação do veículo com a mercadoria?

A respeito do veículo autônomo, vamos fazer a seguinte suposição: Se um veículo conseguisse “falar” com a mercadoria que está carregando, não precisasse de motorista e fosse autônomo nas suas decisões, levando em consideração os requisitos do transporte em tempo real para escolher o trajeto, será que a logística seria afetada com estas possibilidades?

A resposta a estas perguntas, no meu entendimento, seria sim. A logística atual sofreria mudanças essenciais. A conclusão destas inovações de ruptura, nos leva a fortalecer o posicionamento do uso da RFID, como um canal de comunicação com as mercadorias, uma vez que a RFID será a nova geração de identificação de mercadorias, e ela será a principal “porta de diálogo” e comunicação das mercadorias com os veículos ou pessoas. Também são públicas, as iniciativas da Google e de algumas montadoras de veículos (BMW, Volvo, etc.) exibindo e apresentando os resultados dos experimentos de veículos transitando sem intervenção do motorista. Mas, no meu entendimento, o transporte de carga terá as primeiras experiências efetivas com o veículo autônomo.

Para ilustrar um possível cenário da aplicação destas inovações, vamos usar um cenário atual, e fazer uma analogia com um cenário comum no dia a dia dos viajantes aéreos, a logística de entrega de bagagens em aeroportos internacionais, que pode ser vista no vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=Cqejei5WNcw). São exibidas cenas interessantes de automação de entrega de bagagens, que leva em consideração todo o complexo das chegadas, partidas e transferências em viagens aéreas.

Extrapolando para um cenário logístico interno a Centros de Distribuição (Warehouses), imagine o mesmo circuito, onde uma mercadoria é inicialmente identificada (etiquetada), é colocada em uma esteira, por onde é decodificada por leitores que identificam o destino e obtêm dos sistemas as regras de transporte desta mercadoria. Ele é então, separada e encaminhada para o portão de despacho ou armazenagem, utilizando as definições em tempo real que podem estar embasadas em atrasos de entrega, por exemplo. Se, ao invés de uma esteira, tivermos dentro da Warehouse um caminho percorrido por um veículo autônomo, o cenário seria similar? Esta é uma das questões que move os desafios futuros da logística. Acredito que a RFID fará parte deste futuro.

Para finalizar, será que este futuro esta tão distante assim? Será que teremos a impressão de observar “fantasminhas” dirigindo veículos e levando mercadorias para nossas casas, em breve?

Para nossa conclusão, é importante analisar o recente anuncio da Amazon, que apresentou a ideia do despacho de compras on-line em 30 minutos, utilizando um processo automatizado de despacho de mercadorias por veículos autônomos do tipo drones. Diante deste cenário, fica a pergunta: será que o futuro já chegou?

Alessandro Santiago dos Santos é gerente de pesquisas - automação, governança e mobilidade digital do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)

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