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A importância de ASIC para inovação e mercado

O professor titular da Unicamp Jacobus W. Swart defende o desenvolvimento de ASIC para promover a inovação e criação de novos produtos para RFID

Por Jacobus W. Swart

17 de março de 2014 - ASIC (Application Specific Integrated Circuit ou Circuito Integrado de Aplicação Específica) é usado corriqueiramente no mundo para o desenvolvimento de novos produtos. Há três fatores básicos que levam as empresas a optar por ASIC: atendimento a especificações desejadas não possíveis por produtos padrão; diferenciação do produto e proteção da propriedade intelectual e custo quando o volume de mercado for suficientemente grande.

Produtos de identificação por radiofrequência (RFID) e produtos para aplicações da IoT (Internet of Things ou Internet das Coisas) formam mercados típicos para ASIC, dada suas especificações de desempenho, sobretudo de baixo consumo de energia e diversidade de aplicações. Como exemplos de ASIC para RFID e IoT temos: o chip do boi, identificação de veículos e outros bens.

Jacobus W. Swart, da Unicamp
Um outro exemplo de área onde ASIC tem campo fértil é a área de Smart Grid, dada a escala de demanda e especificidades do mercado no país. Temos da ordem de 70 milhões de residências e estabelecimentos que requerem medidores inteligentes e necessidade de maior número ainda de chaves inteligentes necessários no sistema de distribuição. Estes são exemplos de escala que justificam o uso de ASIC do ponto de vista econômico, além de permitir otimizar o componente para sua aplicação.

A área de aplicações de eletrônica de consumo constitui outra área fértil, porém de alta competitividade, onde preço e desempenho são cruciais, sobretudo a questão de consumo de energia, já que muitos destes são produtos móveis.

O Brasil vem investindo e se preparando para atuar no mercado de ASIC. Duas foundries vem sendo instaladas, Ceitec em Porto Alegre e Six em Ribeirão das Neves, próximo a Belo Horizonte. Adicionalmente o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) criou o programa CI Brasil que inclui um programa de formação de recursos humanos especialistas em projeto de ASIC e o fomento da criação e atração de Design Houses (DH), ou escritórios de projeto de ASIC.

Também foram criados vários mecanismos de incentivo à produção e uso de ASIC, como estabelecidos no PADIS, na portaria recente de 1.309/2013 do MCTI, prioridade dada na aprovação de projetos de Inovação no BNDES e FINEP que contenham projeto de ASIC, entre outros mecanismos. Pela portaria 1.309/2013, o uso de ASIC projetado no país em produto novo confere a este os benefícios da portaria 950.

No desenvolvimento de novos produtos tem-se três alternativas: uso de produtos específicos de prateleira, uso de FPGA (Field Programable Gate Array) ou uso de ASIC. O uso de produtos específicos de prateleira normalmente não são otimizados em desempenho comparado a um ASIC e podem facilmente ser copiados pela concorrência, mas pode eventualmente ser mais econômico, tendo em vista que produtos de prateleira são produzidos em larga escala.