RFID Artigos

RFID e logística reversa

O uso da tecnologia facilita o processo de registro de dados, garante a qualidade e aumenta a velocidade na troca de informações

Por Yukiko Sasaki

5 de abril de 2013 - O mundo já não é mais o mesmo. Antes, nos preocupávamos em adquirir produtos duráveis e resistentes, que perdurassem em nossas casas por anos e anos e, se caso este apresentasse algum tipo de dano ou falha, era de imediato levado ao conserto. Hoje, o gigantesco fluxo de inovação tecnológica, que vêm a nós apresentada em forma de novos produtos, fez dessa cultura uma mera lembrança do passado.

Agora, em vez do “durável”, criou-se a cultura do “descartável”. Em outras palavras, tudo é facilmente substituído por uma versão mais nova e atualizada. Com certeza, muitas são as vantagens em se adquirir algo novo: ele pode possuir mais funcionalidades, pode ser mais prático, mais eficiente ou até mesmo mais econômico. Mas, e o produto antigo e rejeitado? O que fazer com ele? Esta vem sendo umas das principais questões do mundo moderno e, o mais preocupante, é que muitas vezes não temos uma resposta.

Devido a esta ausência de respostas, ainda é corriqueiro o descarte inadequado desses produtos obsoletos, levando a potenciais danos ambientais. Infelizmente, ainda são escassas as iniciativas voltadas para a gestão desses resíduos e sua reciclagem; contudo isto tende a mudar.

Por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010) o país passa a ter um marco regulatório, englobando assuntos como a geração, redução, reciclagem e gestão dos resíduos sólidos, e enfatizando o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, abrangendo fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e o setor público.

Para que os resíduos possam ter uma destinação final ambientalmente adequada, a política traz a obrigatoriedade de estruturação e implantação de sistemas de logística reversa. Tal obrigatoriedade atinge os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de algumas classes de produtos, até o momento, sendo eles: os agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes (seus resíduos e embalagens), lâmpadas (fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista) e produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

Tal obrigatoriedade traz muitos desafios e dificuldades: primeiramente, o de como garantir que de fato todos os produtos em seu final de vida útil estão retornando aos seus fabricantes e importadores, para que estes deem aos mesmos uma destinação final ambientalmente adequada. Como garantir que empresas contratadas estão dando o devido tratamento para tal resíduo? E mais, como monitorar todo esse fluxo de informações e registrar de uma forma clara e confiável que cada produto já fabricado está sendo devidamente descartado?

Possivelmente, o uso da tecnologia RFID para esta aplicação trará grandes vantagens e facilitará todo o processo, no que tange ao registro de dados, garantia da qualidade do processo e velocidade na troca de informações. Um sistema de logística reversa baseado nesta tecnologia dará facilmente ao fabricante ou importador informações de quando uma unidade específica do seu produto está retornando via consumidor a um ponto de coleta, quando foi transportado a uma recicladora e de quando foi definitivamente descaracterizado e destinado adequadamente.

Além da automatização do controle de informações inerentes ao processo, o fabricante ou importador atenderá facilmente a algumas exigências da política, como manter atualizadas e disponíveis às autoridades cabíveis informações sobre suas ações e também garantir que suas empresas contratadas estão gerenciando adequadamente seus respectivos resíduos ou rejeitos.

Portanto, em vista de que muitos produtos já possuem uma tag RFID, para que um sistema de logística reversa funcione adequadamente, é necessário começarmos a pensar na vida útil da própria tag, para que, no momento da devolução desse produto (o que pode ocorrer até anos depois da sua fabricação), a leitura seja feita adequadamente.

Importante também é buscar formas para que a implantação desta tecnologia em toda a cadeia de logística reversa seja economicamente viável, visto que muitas vezes o ponto de coleta poderá se encontrar em pequenas lojas comerciais, associações de catadores de materiais ou cooperativas de reciclagem.

Nesse sentido, vale destacar a importância dos profissionais de P&D, do meio acadêmico e da própria indústria, desempenhando um papel de liderança e de incentivo à inovação, para o aprimoramento e desenvolvimento de novas tecnologias.

Yukiko Sasaki é engenheira ambiental e técnica do Laboratório de Sustentabilidade do FIT (Flextronics Instituto de Tecnologia)

  • « Anterior
  • 1
  • Próximo »